segunda-feira, 31 de outubro de 2016

* É MUITO MAIS QUE UMA COR *


"Mas é apenas um cinturão amarelo! O que tem de tão especial?"
Não, não é apenas um cinturão amarelo, é muito mais que isso.
É a certeza que esta foi uma decisão acertada. É a certeza de que não ter permitido que a Benedita desistisse do karatê foi sempre o mais correto.
Sabes o que é levares a tua filha a praticar uma atividade e ouvires sempre "não gosto do karatê", "quero desistir do karatê", "detesto aquilo", "deixa-me ficar em casa hoje"?
Pois eu sei bem o que isso é.
Quando decidi que a Benedita ia praticar karatê, pensei sinceramente que seria muito mais fácil conquistá-la. No entanto, as coisas não correram assim tão bem.
No início e durante largos meses tinha que ficar a assistir às aulas pois ela chorava se não me via ou se não via o Pai.
Fazia passos de dança frente ao espelho, colocava a língua de fora, mexia-se quando era para ficar quieta.
Uma batalha de longos e vários meses.
Em casa sempre o mesmo choro: "és má mãe.", "não queres que eu seja feliz!", "deixa-me desistir.".
Ao choro da filha juntava-se em surdina o apoio do Pai: "A menina não gosta disto. Deixa-a desistir, ainda é tão pequena."
Não. Nunca cedi. Desistir nunca foi uma opção.
Permiti que muitas vezes não fosse aos treinos, mas nunca permitiria que desistisse. Apenas uma exceção:
"Quando fores cinturão preto permito que desistas se assim o desejares. Até lá continuarás no karatê."
Um dia uma amiga dela perguntou-me: "Porque obrigas a Benedita a andar no karatê? A minha mãe deixa-me fazer só o que eu gosto."
Respondi-lhe que: "Na Vida nunca iremos fazer só o que gostamos e a Benedita tem que aprender a lidar com isso."
Creio que a minha resposta lhe deverá ter feito pensar algo como "Graças a Deus que não és minha mãe."
Não quero uma filha que não saiba lidar com a frustração. Quero uma filha que independentemente das circunstâncias saiba adaptar-se à realidade e lidar com as coisas menos boas que possam surgir.
E se já sabia, porque sempre acreditei na miúda que tenho em casa, hoje tenho mais certezas e um imenso orgulho por saber que ela será capaz de o fazer sempre que a Vida a isso a obrigue.
A Benedita durante muito tempo não queria fazer exame. Tinha medo de falhar. A quem sairá?!
No passado dia 28 de Outubro realizou o seu primeiro exame para cinturão amarelo.
Eu estava mais nervosa que ela! O meu coração pulava acelerado.
Abracei-a e num beijo demorado disse-lhe:
"Se falhares o teu Mestre vai dizer-te o que tens de melhorar e vais treinar mais para fazeres melhor. Mas se desistires nunca saberás do que és capaz. Amo-te filha e vou sempre amar-te."
A Benedita recebeu o cinturão amarelo. Rejubilou de alegria e felicidade. O orgulho dela naquele cinto foi e é tanto que o meu coração transbordou de emoção.
"Mas é apenas um cinturão amarelo! O que tem de tão especial?"
O que tem de tão especial?
Tem a vontade e a força da minha filha. 
Tem o carácter e a energia de uma menina que agora com 6 anos já nos responde:
"Vê o lado bom da coisa agora já quero ir ao karatê."
E assim se fez o click que faltava (espero eu!).
Até já cinturão verde. Só parámos no preto.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

* OBRIGADA 35 MAS EU QUERO MAIS *


Hoje chego, finalmente, aos 36.
E festejaste assim tanto?
Claro que sim. O mais que pude.
Os 35 não foram os melhores da minha Vida.
Passei por muitas "trapalhadas", discuti muito com o marido, gritei ou berrei com os meus filhos em demasia, irritei-me facilmente e senti-me esgotada!
Isto é tudo o que não quero na minha Vida. 
Por isso celebrei a saída dos 35 com muito entusiasmo.
Agradeço aos 35 as lições que me trouxe, mas agora quero mais, quero os 36 com toda a minha capacidade de amar, de rir e sorrir, de viver e aproveitar cada segundo que partilho com aqueles que são o meu mais precioso bem.
Olho para fotos mais antigas e sinto-me bem melhor.
Acho mesmo que envelhecer me tem feito bem, muito bem até!
Há anos fenomenais e eu sei que este será um desses.
Passam agora 18 anos sobre um ciclo importante da minha Vida. E se os 18 foram fantásticos os 36 serão ainda melhores.
Mas uma coisa permanecerá igual aos 35 e a todos os outros que precederam: Sou quem sou porque nunca fui quem não quis ser.
Obrigada 35 mas agora sou dos 36.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

* 10 ANOS DEPOIS DO SIM *


Sim o tempo voa, salta, anda, corre e não pára.
Mas de verdade, quem casa aos 25 anos?
Eu casei.
O casamento sonhado e imaginado por longos anos realizou-se.
Passaram 10 anos.
Anos bons, muito bons, fantásticos e anos menos bons. 
Anos em que apetece "aldrabar" o caminho e percorrer um atalho, ou mudar de direcção.
Os últimos têm sido os mais intensos, mais ferozes.
Dois miúdos lá em casa, que são a cara da Mãe... não, a cara do Pai... (ninguém conhece o padeiro?)... lindas crianças que não nos deixam dormir, nem descansar, mas sem as quais o nosso reinado não teria sentido.
Não saltamos de um avião (com muita pena minha), nem fomos fazer o circuito americano, porque as Pestes não o permitiram, mas fomos celebrar os quatro numa pacata herdade.
Passados estes 10 anos, muitas das minhas convicções alteraram (felizmente). A principal destas alterações foi ganhar a consciência de que o local da minha casa não é importante, o elementar é que nela estejam aqueles três com quem agora a partilho.
O Ângelo cresceu, eu cresci e juntos estamos a tentar fazer com que as nossas Pestes cresçam felizes.
Não prometo mais 10 anos, digo isto repetidamente, porque percebi também que só preciso de um dia de cada vez.
Quero apenas um dia, atrás do outro enquanto for feliz, enquanto, depois de uma discussão, eu consiga olhá-lo nos olhos e sentir aquele "fogo" no meu coração.
Já passaram 10 anos, consegues acreditar?
Já passaram muitos anos e eu só quero uma longa história construída a cada dia.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

* O MIÚDO FAZ ANOS *


Hoje um dos Homens da minha Vida faz anos.
Hoje, aquele a quem confio a tarefa de desligar as máquinas quando apenas elas me mantiverem presa ao Mundo físico, faz anos.
Hoje, o Padrinho (im)perfeito do meu filho faz anos.
Hoje, aquele em quem descarrego as frustrações do escritório, faz anos.
Hoje, aquele que me faz ouvir as maiores parvoíces da Internet, faz anos.
Parabéns e Felicidades sem fim são tudo o que lhe desejo, numa Vida longa e recheada de Amor.
Hoje, o irmão que tanto amo faz anos.
Parabéns Niel.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

* 12 ANOS DEPOIS DO DISCURSO *


Doze anos passaram desde aquele que foi o meu discurso mais esperado até hoje.
A 2 de Maio de 2004 tive a minha imposição como finalista. 
Desejei tanto aquele dia. 
Mais um sonho que se cumpria na imensidão da minha lista de sonhos.
Quanto ao discurso apenas duas certezas: a quem iria agradecer e como queria terminar.
Sempre que tenho que discursar, imagino (vezes sem fim) as possibilidades do que poderei dizer.
Normalmente, emocionada com o que quero transmitir, choro copiosamente nos "meus ensaios" porque o coração absorve todo o meu sentimento.
Sei que nunca faço o discurso que imaginei, mas sei que digo sempre o que deve ser dito.
Nas noites anteriores àquele dia, na minha cama, discursava surdamente perante a minha almofada encharcada pelas lágrimas.
Adormecia sempre assim, com um rosto inchado e um coração tranquilo.
Eu sabia o que tinha que ser dito.
Era Dia da Mãe, como em todas as imposições anteriores. 
Sempre achei que era a melhor prenda que lhe podia dar. A cada ano uma vitória, não minha, mas nossa.
Chamaram o meu nome e no lugar dos tremores de frio e nervosismo que até ali sentia, um calor tomou conta de mim. A voz não me falharia. Não ali.
A Dra. Rute foi a Madrinha escolhida para aquele momento. O meu momento.
Depois as palavras perante uma multidão que me pareceu desaparecer.
Aquele era o Meu momento.
Com palavras de Amor agradeci aos meus Pais a nossa caminhada, o percurso que comigo fizeram para que ali chegasse.
No final as palavras foram para aquele que comigo trilhava um percurso maior. Um outro sonho.
Ao Ângelo pela paciência, pelo Amor e pelo carinho: "Queres casar comigo?"
E fugi. Não esperei pela resposta. Chorei ali.
A multidão reapareceu e exigiu uma resposta. "Aceitas?"
Os homens não choram, mas ele chorou e teve coragem para aceitar.
Casamos dois anos depois.


Passam doze anos desde aquele dia em que aceitaste amar-me e a coragem continua.



sexta-feira, 29 de abril de 2016

* DIA MUNDIAL DA DANÇA *


Durante alguns anos pratiquei dança.
A liberdade de expressão, de movimentação... o Mundo era meu. Só meu.
A dançar sou livre. 
Sou eu, sem filtros, sem pudores.
Voltei à dança e sei que não a abandono mais.
Sei o meu Caminho.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

* ISTO NÃO É UMA DECLARAÇÃO DE AMOR *


A nossa história não é a de um conto de fadas.
Começou numa brincadeira.
Um sorriso maroto, um confronto de ideias, quem vai mais longe... dois amigos que não se suportavam (pensavam os outros).
A nossa história nunca será um conto de fadas.
Será sempre uma história de sorrisos, de lágrimas, de alegrias e de sonhos.
Na nossa história há gritos e discussões.
Há Amor.
Sabes o que é o Amor?
Amar-te foi sempre o caminho mais fácil.
Amar-te é o caminho mais fácil.
Não quero um conto de fadas. 
Nós somos o conto de fadas.
E contigo dançarei até ao fim do Mundo.

Ao meu Ângelo.
(acreditem que não é um Príncipe Encantado e eu não sou a Cinderela)



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