quarta-feira, 16 de maio de 2018

* LUÍSA *


Há dias que nascem para nos tornarem melhores e mais felizes.
Hoje o dia nasceu bom... muito bom.
Bem-vinda minha Luísa.

terça-feira, 1 de maio de 2018

* 25 DE ABRIL SEMPRE *



Exmo. Sr. Presidente da Assembleia de Freguesia e restante Mesa
Exmo. Sr. Presidente da Junta de Freguesia e membros do Executivo
Exmos. Srs. Deputados da Assembleia de Freguesia
Exmas. Autoridades civis, militares e religiosas
Exma. Senhora Provedora do Cidadão Avintense
Exmos. Convidados
Minhas Senhoras e meus Senhores
Ilustres Crianças,

Quando fui indicada para fazer esta intervenção, não hesitei um segundo em aceitar embora tenha pensado sobre o que poderia alguém que nasceu já em plena Liberdade aqui falar.
Não cresci ao sabor do medo, não vivi a guerra colonial, nem sequer sei quais os efeitos da censura.
Nunca me foi recusada a leitura de nenhum livro e a minha curiosidade sempre se manifestou em imensas perguntas e opiniões. Opiniões livres e minhas.
O 25 de Abril de 1974 não foi, sequer, o dia mais feliz da minha Vida, mas sei que as consequências desse dia me permitem viver tantos e tantos dias felizes.
Reflectir sobre a revolução de 1974 é, por isso, um exercício mental atual e interessante principalmente para aqueles que nasceram anos depois daquele dia.
O 25 de Abril foi o dia de uma revolução. Neste dia conquistou-se a Liberdade!
Todos nós temos alguém da nossa família ou conhecemos alguém que sofreu as amarguras do Estado Novo, que “fugiu” de Portugal por se recusar combater numa guerra cujas “vestes não queriam vestir”.
É importante não esquecer estes homens e mulheres que foram perseguidos, presos e mesmo mortos mas que sempre ousaram sonhar com o mais belo presente que nos poderiam deixar: a Liberdade.
Chamada a Revolução dos Cravos pois segundo se conta, Celeste Caeiro, que trabalhava num restaurante na Rua Braancamp de Lisboa, terá iniciado a distribuição dos cravos vermelhos pelos populares que os ofereceram aos soldados. E estes colocaram-nos nos canos das espingardas. Aliás, uma das mais célebres imagens deste dia retrata uma criança colocando uma dessas flores no cano de um fuzil.
Depois de Abril de 1974 foram inúmeros os preconceitos e tabus quebrados; a Mulher tornou-se cidadã, ganhou o direito de votar, ganhou a possibilidade de estar aqui hoje, junto de todos vós, sem medo de ser escutada. Sem isso, era impossível estarmos aqui todos hoje, tal como estamos, com as nossas diferenças, mas com imenso respeito por essas mesmas diferenças.
Celebrar este Dia, que se repete a cada ano, a cada Abril, é não esquecer as conquistas que são de todos, tais como a criação do Salário Mínimo Nacional que beneficiou, na altura, cerca de metade dos trabalhadores portugueses, que passaram a ganhar 3300 escudos por mês (o equivalente hoje a 16,5 euros) e melhorando assim as suas condições de vida; a redução do horário de trabalho e a sua regulamentação, o direito a férias pagas, a Escola Pública, a Segurança Social e o Serviço Nacional de Saúde; o acesso à Justiça e a serviços públicos de qualidade.
Celebrar este Dia é fundamental para que todos aqueles que nasceram em plena democracia e Liberdade saibam continuar a lutar pelos seus direitos. Possam continuar a sonhar as oportunidades que nos foram oferecidas e que custaram muitos filhos a muitas mães, muitos avôs a muitos netos.
“E faz sentido continuar a celebrar este dia?”
São inúmeras as vozes que se erguem dizendo que não.
Discordamos, pois defendemos que a celebração do 25 de Abril servirá para nos lembrar que a Liberdade é uma conquista de todos os dias; porque a Liberdade embora nos tenha sido oferecida (a todos os que nasceram depois dela) continua a ser uma conquista diária e que tem que ser construída por todos e para todos.
É importante reconhecermos que não se pode invocar a liberdade sem respeitarmos o próximo.
Exemplo disto é o exercício da liberdade de expressão.
Este que é um dos muitos direitos constitucionalmente consagrados e que tem sido utilizado para ofender e julgar quem nos rodeia, quem nos governa, quem nos ensina, quem nos alimenta, principalmente nas redes sociais que proliferam nestes dias.
É preciso restaurar princípios, é preciso perceber “quanto custou a liberdade”!
Não podemos esquecer que Liberdade também significa Responsabilidade e que a Liberdade de cada um de nós cessa quando começa a do outro.
Em Democracia deve haver liberdade no exercício do direito de dizer aos outros o que eles não querem ouvir mas sempre com a noção de responsabilidade. Pois cada um de nós tem o dever de contribuir para o aperfeiçoamento do sistema vigente que nos rege, melhorando-o dia após dia.
Mas cada um de nós tem que assumir a responsabilidade daquilo que diz e daquilo que faz “em nome da liberdade” e deverá sempre respeitar o próximo da mesma forma que exige respeito para si próprio.
Infelizmente, vemos muitas vezes que não é isso o que sucede e assistimos quase diariamente a quem fala e escreve em total liberdade sem possuírem um mínimo de responsabilidade e de respeito pelos outros.
Para estes, o 25 de Abril ainda não cumpriu a sua missão.
Não é fácil, mas deveria ser, para alguém que nasceu muito depois de 1974 perceber a dádiva do que nos foi possibilitado.
É certo que podemos ler nos livros ou ver em alguns documentários televisivos, mas muitas destas pessoas, tal como eu, quando nasceram puderam gritar livres para o País que as viu nascer e têm por isso que saber respeitar as memórias de quem viveu antes de nós.
Hoje comemoramos aqui o quadragésimo quarto aniversário daquele que terá sido porventura o acontecimento da História de Portugal que se perpetuará na memória dos portugueses e na História de todos os países e povos que pertenceram outrora ao nosso País.
É por isto, que todos os obstáculos que a Liberdade encontra diariamente e que sempre vai encontrar, que a memória do 25 de Abril deve ser continuamente celebrada. A memória daqueles que nos merecem tanto respeito quanto nos merece aquele que temos pela Liberdade e pela Democracia e pelo legado dos que nos permitiram isso.
E como diz Alexandre Honrado “Memórias são coisas que ficam do tempo que passa. Coisas que recordamos. Há muitos anos, um dia cheio de vontade de mudar as nossas vidas ficou para vir a ser uma memória. A tua memória. A memória de todos nós. Falo do 25 de Abril do ano de 1974. Foi há muitos anos, mas o que aconteceu continua a ser tão importante, que vale a pena ir à História para contar esta história. Foi o dia de uma Revolução. Mas uma revolução em que as flores foram mais fortes que toda a força do Mundo. Sem este dia não podíamos viver a Liberdade. Nem gritar Viva a Liberdade. Foi um dia de abrir novas memórias.”

Viva a Liberdade.
Viva Avintes.
Viva Portugal.
25 de Abril Sempre

Avintes, 24/04/2018                                       
                                                                                                           Daniela Castro.

*texto que redigi para discursar em representação do Partido Socialista de Avintes na Sessão Solene do 44° Aniversário do 25 de Abril de 1974

sábado, 14 de abril de 2018

* CARTA ABERTA À LUÍSA *


Minha querida sobrinha, escrevo-te alguns dias depois de saber que és uma menina.
Não imaginas a felicidade que senti quando soube que chegarias. Foi uma alegria tão grande como se fosses minha.
E és! Tu também és um bocadinho minha. Em algum momento a tia descobrirá em ti o seu bocadinho: na ponta do cabelo ondulado ou no nariz grande ou no feitio forte e temperamental ou no sorriso largo e sincero ou no abraço apertadinho ou no franzir da sobrancelha ou... em tantas coisas e particularidades que farão de ti uma menina única.
A tia vai ensinar-te muitas coisas, vai ralhar e brincar e dizer muitas asneiras mas vai principalmente amar-te.
Já te amo desde aquele dia! Tanto como amo o teu pai.
Prometo que no meu colo encontrarás sempre lugar mesmo que o tenhas que partilhar com os primos.
A minha porta sempre se abrirá para te receber, aqui ou em qualquer lado onde eu possa morar.
Para ti terei sempre uma palavra, um beijo ou um abraço.
Escutarei até o teu silêncio e guardarei todos os segredos que me queiras confiar.
Eu sei que também tu farás de mim uma pessoa melhor! E desejo que pela tua voz sempre se ouça com orgulho a palavra "Tia" quando de mim ou para mim falares.
Querida Luísa tenho muito mais para te dizer e contar mas isso deixarei só para nós.
Beijos da tia Daniela.
Aos 21 dias de Dezembro do ano de 2017.

quinta-feira, 8 de março de 2018

* 8 DE MARÇO *


Neste Dia Internacional da Mulher relembro aquela de quem herdei o nome: Sofia.
A minha bisavó, ou Vó Sofia, ficou viúva aos 21 anos de idade com três filhos pequenos para criar.
A minha Vó Sofia criou os três filhos, sozinha, com muito trabalho no campo e sempre pronta a ajudar todos aqueles que a ela recorriam. 
A minha Vó Sofia passou fome, mas nunca deixou que os filhos passassem.
A minha Vó Sofia sempre me ofereceu "uma maçãozinha" e contava-me histórias da sua Vida.
A minha Vó Sofia perdeu a sua filha adorada e viveu muitos anos para além dela.
Nunca baixou os braços, nunca se vergou ao poder de outros. Sempre foi (e ainda é por quem dela fala) respeitada e considerada.
Sofia foi uma Mulher Guerreira que muito nos ensinou e a mim deixou o legado do Seu nome.
Teve uma Vida difícil e dura mas tinha um coração verdadeiramente de ouro e um sorriso bondoso.
Não me será possível igualar a Tua grandeza, mas espero honrar o Teu nome. Sempre. Para sempre.

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Neste dia 8 de Março o meu Avô completaria 89 anos.
Duas Vidas que preencheram a minha.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

* SOMOS VERDE *


Um ano passou e de rompante chega a casa a novidade: "Vou fazer exame de karate."
"Tu? Tens a certeza?" - interroguei incrédula.
"Claro que sou eu!" - retorquiu ela.
Atentas as minhas dúvidas quanto à veracidade desta afirmação enviei email ao seu Mestre. A resposta logo chegou: fará exame no dia 28 de Outubro.
Digamos que a maturidade da Benedita aos 7 anos não está no seu expoente máximo e desta vez as dúvidas quanto a este exame estavam todas do meu lado.
Não tenho pressa que avance nas cores dos cinturões, pois quero que o processo se desencadeie dentro dela e não só no exterior.
Para quem desconhece a minha luta em manter a Benedita no karate recomendo uma breve leitura aqui.
Este ano que passou não foi naturalmente fácil, mas foi mais uniforme. No entanto, eu como mãe sei que o processo é longo e moroso pelo menos no que diz respeito à minha filha.
A Benedita despachada como só ela sabe ser resolveu fazer apostas com alguns familiares mais próximos: "Queres apostar como serei verde?"
Por não estar muito certa do resultado apostou baixo.
Voltei a lembrar-lhe que o mais importante é fazer, tentar e aprender, que ainda é muito nova e tem um caminho enorme a percorrer, por isso se o resultado final do exame não fosse o que ela pretendia eu estaria (na mesma) aqui, orgulhosa dela.
Fez o exame e pela foto lá de cima já perceberam que o resultado foi-lhe favorável.
Não foi um excelente exame. Pensei que não seria aprovada. Ainda sorri muito, ainda não tem a firmeza dos braços e do corpo. Tem 7 anos (e isto não é uma desculpa).
A Benedita precisa amadurecer o corpo e a mente! E se há pessoa que acredita que ela o saberá fazer sou eu.
O Mestre de karate da Benedita é bondoso e sapiente e sabe melhor que ninguém do que os seus alunos são capazes. O júri decidiu atribuir-lhe o cinturão verde e eu rejubilei. (Ainda me emociono quando recordo aquele momento.)
"Ah! Pois e tal... isto é uma brincadeira e eles facilitam." - podeis todos pensar mas eu vou falar-vos um pouco sobre a perspectiva de uma criança, que por acaso veio parar ao karate porque a mãe assim decidiu.
Este tipo de karate (há muitos tipos) não é um karate de combate, de competição com o outro. Há um processo de competição interno, da tua própria evolução. 
Ora, as amigas da ginástica artística ganham medalhas nas competições, os amigos do futebol trazem taças dos torneios e a Benedita o que traz? Não tem medalhas, nem taças para poder falar aos outros. Tem estágios onde aprende e convive mas e o brilho das medalhas e das taças? E o gosto em saber que vencemos o outro?
Isto não é fácil. Desenganem-se! Mesmo para adultos é um processo complicado porque nós queremos mostrar e provar que somos bons, que somos melhores que outros.
Então como posso eu enquanto Mãe não compreender a minha filha?
"O karate é uma seca!" - ouço frequentemente... "Mas até é muito fixe e tem coisas boas." - ouço logo a seguir.
Eu da idade da Benedita decidi fazer atletismo, mas por não ter idade para competir só podia treinar e mais nada. Naturalmente desisti ao fim de algum tempo. "Para quê que vou andar ali se não posso ir às competições?" - e assim expliquei aos meus pais porque faria todo o sentido desistir.
"Então porque não fazes o mesmo com a tua filha?"
Porque estou a dar à minha filha um poder enorme: o da resiliência e da superação.
Ela ainda não sabe mas é assim que cresce forte e independente. Ela ainda não entende mas é assim que nunca se deixará desistir de nada na Vida. 
E eu tenho tanto orgulho nela porque devagarinho a vejo crescer no karate e sei que a minha filha é uma vencedora.
E não posso esquecer que tive muita sorte em inscrevê-la nesta Escola porque TODOS são maravilhosos. É incrível ver o ambiente que vivem; o grupo coeso que o Mestre soube criar na disparidade de pessoas, idades e ambições.
Agora o processo será mais demorado para alcançar o cinturão azul, mas este caminho está trilhado e muito bem delineado nas suas curvas e contracurvas.
Somos VERDE mas tudo isto é muito mais que uma cor.


terça-feira, 29 de agosto de 2017

* (A)GOSTO DA BROA *

Iniciada que foi a 30.ª Festa da Broa de Avintes lá me aventurei no seu concurso gastronómico.
E as minhas migas de couve portuguesa e broa com sardinha assada e batata doce ganharam o 3.º prémio na categoria individual.
Quem não arrisca, não petisca e esta "dona de casa desesperada" demonstra uma vez mais que não há impossíveis.


sexta-feira, 14 de julho de 2017

* JÁ PASSOU TANTO TEMPO *

Parece cliché mas a verdade é que "o tempo não pára" e nem dou conta que deixei de escrever durante tanto tempo.
Já corre Julho na nossa Vida. Este mês com tantos sentimentos para mim.
Neste mês já vivi o Amor e a Morte. 
O início de Vidas e o fim (terreno) delas.
Começamos este mês a celebrar os onze anos desde o nosso "Sim".

E se em equipa vencedora não se mexe eu diria que os quatro elementos que constituem a nossa são os melhores do Mundo.

Num casamento que apadrinhamos neste mesmo mês transmiti que o casamento é como um puzzle. Nunca deverá ser dado como terminado; cada peça deverá ser colocada, dia após dia, preenchendo cada lugar com sorrisos e tristezas, peças coloridas e outras mais monocromáticas.
Que eu seja capaz de enriquecer o nosso puzzle da mesma maneira que vocês o fazem no meu.
Amo-vos.





Publicação em destaque

* É MUITO MAIS QUE UMA COR *

" Mas é apenas um cinturão amarelo! O que tem de tão especial? " Não, não é apenas um cinturão amarelo, é muito mais que is...