terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

* AVINTES *


NOTA PRÉVIA: por imposição legal à data do meu nascimento foi-me atribuída a naturalidade em Mafamude uma vez que nasci no Hospital de Gaia, no entanto, sou Avintense e sempre serei porque o lugar onde se nasce é apenas uma circunstância da Vida.

Desde o ano passado que tenho tido o privilégio de neste dia vos saudar em representação do Partido Socialista e em conjunto celebrarmos a nossa cultura e a nossa identidade.
Hoje comemoramos mais uma sessão solene do Dia de Avintes. Revive-se o passado, vive-se o presente e sonha-se o futuro.
Creio poder também afirmar que celebramos igualmente o imenso orgulho avintense que nos é sobejamente reconhecido.
E os Avintenses têm inúmeras razões para sentir orgulho da e na sua história, das suas gentes, das conquistas e das lutas diárias desde os tempos da sua criação para afirmarem as suas convicções e os seus intentos.
Não podemos esquecer a determinação relatada em escritos históricos das várias vereações que corajosamente lutaram para que esta freguesia se tornasse a sede de um grande concelho. Pese embora isso não tenha acontecido, Avintes não se calou e protestou junto da Rainha o seu total desagrado com a anexação que sofreu em 1836 ao concelho de Gaia. Ainda hoje Avintes não se deixa calar sempre que tem que ser escutado.
Avintes, nasceu aldeia na margem esquerda do rio Douro, com características tão próprias e tão suas que por vezes somos levados a repetir o que já foi dito e louvado tantas vezes.
Mas nunca será demais honrar as nossas origens. Este sentir avintense tão bem plasmado nos relatos históricos de onde se absorve este amor à terra e a dedicação que lhe advoga quem por ela trabalha, escreve, representa e muito bem a dignifica.
Assim e como um bom hábito que se foi ganhando na nossa freguesia, hoje é também um dia de reconhecimento, homenageia-se através do Diploma de Artesão de Mérito, uma nova atividade, mas muito antiga na sua existência e tradição e que se trata dos Merceeiros.
Avintes continua e continuará a agraciar publicamente quem tanto contribuiu para o bem-estar da comunidade.
Muitos foram aqueles que para além de fazerem desta uma atividade económica e fonte do seu trabalho, ajudaram várias famílias nas suas necessidades básicas do dia-a-dia, anotando no livro os bens mais essenciais para a subsistência de quem os procurava e recebendo “a conta gotas” o que forneciam.
Nas mercearias avintenses, por norma pequenas lojas com um aspeto tradicional que vendiam e as que ainda subsistem vendem produtos de grande consumo, sobretudo de cariz alimentar mas também produtos de higiene, bebidas e objetos de uso doméstico, sempre encontramos um sorriso para nos receber.
Quem de nós, outrora crianças, nunca a elas recorreu, às escondidas dos pais, para comprar rebuçados?
Eu “não atiro a primeira pedra” pois dessa “falta” sempre serei culpada e que boas recordações tenho daqueles “flocos de neve”!
E é nestas singelas mas sentidas homenagens que Avintes enaltece as suas gentes, demonstra o seu brio e não deixa esquecer todos aqueles que nos permitiram alcançar o que hoje temos e que nos permitem sonhar o que amanhã conquistaremos. Obrigada também a todos vós.
Realçar o Dia de Avintes permitirá aos jovens conhecer melhor o nosso passado e aos mais velhos reviver e partilhar as suas memórias e vivências até porque acredito que a identidade de um povo se renova sempre que é celebrada.
Este será sempre um dia importante, quer pelo seu simbolismo e pela identidade muito própria que nos é reconhecida histórica e culturalmente, quer pelas perspectivas que se criam para os novos desafios que o crescimento e o desenvolvimento nos trarão para o futuro.
Os tempos mudam. A nossa sociedade tem sofrido constantes mudanças culturais, políticas, sociais e económicas. O presente é necessariamente diferente do passado e o futuro sê-lo-á muito mais e por isso é necessário que aqueles que hoje fazem política exijam de si próprios maior rigor e ética, assumindo compromissos com dignidade e de forma honesta pois é para isso que a população delega nos eleitos o poder de trabalharem na procura das melhores soluções e escolhas para todos.
As populações reconhecem-se nos feitos das autarquias mais do que em qualquer outra instância política pelo que é nossa obrigação apresentar propostas concretas e conscientes, desenvolvendo as nossas ações nessa conformidade.
É principalmente nas juntas de freguesias que os cidadãos idealizam a satisfação das suas necessidades e por esse motivo temos a obrigação de continuar a escutar os fregueses.  
Uma sociedade constrói-se com o contributo de todos e todos ganhamos quando damos um pouco de nós para algo que é superior a nós.
Avintes precisa de todos. Tanto daqueles que aqui nasceram como também daqueles que decidiram adotar esta terra como sua e aqui alicerçarem os seus lares ou incrementarem os seus negócios.
Termino desejando que possamos sempre cumprir as metas de desenvolvimento estabelecidas, com coesão e justiça social e que a nossa terra continue a permitir a cada um de nós e àqueles que hão-de vir, a oportunidade de construir o seu projeto de vida, dando resposta, entre outros, aos desafios da demografia bem como à solidão dos idosos.
Um bem-haja a todos e muito obrigada pela vossa atenção.


Discurso proferido a 21 de fevereiro de 2020 na Sessão Solene do Dia de Avintes.