terça-feira, 24 de maio de 2022

* DA FELICIDADE E OUTRAS COISAS *


 
O que é a "felicidade"?
Não venho aqui partilhar nenhum texto no campo da filosofia ou da psicologia porque não são áreas que me digam respeito.
Mas partilho aqui a minha vivência da "felicidade".
Eu choro.
Eu choro muito. Por tudo e por nada.
Choro por alegria das conquistas dos meus. Choro por alegria das conquistas dos outros.
Libertei-me do "não se chora" há muito tempo.
Um filme da Disney faz-me chorar, assim também músicas da rádio ou histórias de desconhecidos.
"Felicidade" é isto. Assumir os meus sentimentos e não ter medo de os sentir.
Eu choro e eu rio. Eu sou intensa nos sentimentos. Também o sou nos abraços. Nos beijos de mãe-gata. Nas gargalhadas. Nos espirros e nos soluços. Nas discussões. Nos aplausos. Na amizade.
Durante muito tempo penitenciei-me por "ser feliz". "Contas para pagar, miúdos para educar, trabalho para fazer... como é que eu posso ser e sentir-me feliz, se à minha volta só se queixam?"
Finalmente percebi que "a culpa" (se existe) não é minha. Dentro de cada um de nós há uma luta diária que só nós conhecemos e o meu Caminho é só meu.
Então "o que é a felicidade"?
Eu aceito a minha.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

* TOD@S TEMOS DEMÓNIOS *


 
Não importa a (tua) idade. Nem culpar o Mercúrio retrógrado (não sei o que é mas li isto em algum lado).
A verdade é que tod@s temos demónios. Internos ou externos, somos tod@s humanos e deles não nos livramos.
Crescemos com medo das sombras, do escuro, do "monstro" que dorme debaixo da nossa cama, até ao dia em que o enfrentamos e não passa de simples cotão.
Depois somos adultos e as "guerras" são tantas. Connosco e com os outr@s. E os demónios não te abandonam. Eles permanecem ao teu lado, sempre à espera da oportunidade de te fazer quebrar. De te levar a cair. De voltares à insegurança da criança com medo de simples cotão.
Ter medo é comum e normal, faz-nos perceber a responsabilidade dos atos que praticamos ou daqueles que omitimos.
Aos 41 anos aprendo ainda muito sobre os meus medos e decido enfrentar aqueles que de facto têm impacto em mim, todos os outros vou descobrindo que são apenas cotão e para isso basta aspirar.
Eu posso mudar muita coisa mas não posso alterar o carácter das pessoas. Esses são os monstros delas... e com esses posso eu bem.
Bem-vindo 2022.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

* DA MINHA JANELA *



Da minha janela encerro novembro com a ansiedade que caracteriza a minha espera por dezembro.
O agridoce que me traz não me faz perder o brilho nos olhos e o quente do coração.
Encerro novembro e encerro também seis meses de uma mudança de Vida (profissional) que me fez crescer mas, que me fez duvidar de mim em tudo o mais que sou para além da profissão.
Somei muitos medos mas enfrentei-os a todos... com lágrimas e com sorrisos, com abraços e aconchegos e aos poucos vou permitindo que o meu coração sossegue.
Assumi a dura realidade de que as Mães "nada curam" e "pouco podem" perante a dor de um Filho. Chorei a minha insignificância segurando-o no colo "que só eu sei dar". Será, porventura, esse o meu superpoder? Confortar-te no meu colo.
"As mães não têm superpoderes. As mães amam."
Da minha janela (do trabalho) vejo o nevoeiro desvanecer e com ele desejo que parta também toda a insegurança que ainda resista neste coração.
Da minha janela encerro novembro.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

* SOPREI AS VELAS *


No passado dia 18 celebrei 41 anos de Vida.

E ninguém desconhece esta minha paixão por acumular anos de Vida... adoro fazer anos, mas principalmente envelhecer com saúde e qualidade.

Os quarenta trouxeram até mim a concretização de mais alguns sonhos/desejos pelos quais batalhei, aliás mudei profissionalmente toda a minha vida. E que bem que me sabe enfrentar novos desafios, viver novas realidades, conhecer novas pessoas e continuar no Caminho que me faz feliz. Só assim sei viver e só assim quero continuar.

Mas os quarenta também trouxeram até mim desafios que, conscientemente, não procurei mas que aceitei concretizar porque abraço os projetos convicta da diferença que posso/podemos fazer na vida das pessoas.

E o dia do meu aniversário foi (im)perfeito... acordei ao lado dele e pude ir acordar os meus filhos. Pude levar o mais novo à escola e almoçar umas tapas e uma ótima sangria na companhia do maridão. Fui buscar o mais novo à escola e deitei-me na cama para dormitar. O jantar não foi por mim feito (como tem vindo a acontecer nestes últimos meses) mas os sorrisos deles encantam e aquecem o meu coração. Terminei deitada novamente ao lado dele.

Sou complicada comigo própria, exijo de mim  mais do que exijo dos outros e isso consome muita da minha energia para me fazer controlar e permitir-me "deixar andar" algumas vezes. Mas o brilho e o coração palpitante em todas as conquistas sabem que vale sempre a pena continuar, mesmo nos dias em que o Sol não brilha.

Sejam felizes... a Vida é um sopro e nós não sabemos de quantas velas!

 

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

* SINTO QUE ME ESTOU A REPETIR *


Sim, incrivelmente (ou não) começa a repetir-se o facto de eu me aperceber que não tenho escrito por aqui tanto quanto me agrada.
Estes tempos pandémicos preencheram o meu tempo com tantas tarefas que depois vou deixando para lá muito daquilo que me faz bem e me faz vibrar.
Desde março até hoje muitas coisas na minha Vida se alteraram... realizei mais uns quantos sonhos e fui atrasando a concretização de outros.
Mas tudo isto para vos dizer que estou de volta e desta vez para me comprometer a escrever com maior regularidade mas sempre com o mesmo propósito... eternizar os meus pensamentos.
Até breve. Sejam felizes.

sexta-feira, 26 de março de 2021

* NEM ACREDITO QUE PASSOU TANTO TEMPO *

 


Fiquei admirada quando verifiquei que a última vez que aqui escrevi foi em novembro passado!
Celebrei o Natal e entrei no novo Ano... comemorei vinte e dois anos de um Am❤r, que às vezes é desamor também mas nem por isso nos desmotiva a fazer melhor e a ir mais além. Sempre.
Confinei (e ainda confino) em casa, seguindo todas as regras determinadas. Protejo os meus e as minhas o melhor que posso e consigo. E está certo. Para mim e para eles e elas.
Devolvi o meu Filho mais novo à escola. O melhor lugar do Mundo para combater a ignorância. (Tivessem todos e todas combatido a ignorância e talvez não estivéssemos neste "caos", mas isso seria tema de outra publicação).
Mantenho a minha Filha mais velha em casa. A ler, a escrever, a brincar e a "dar comigo em doida" (às vezes). São 11 anos... compreendo e sou solidária!
Partilho o escritório de casa com o marido. Tem dias que é maridão! Tem outros em que é apenas Ângelo! Mas é sempre, e para sempre, em qualquer uma dessas versões, o meu grande Am❤r. Bebemos café juntos várias vezes ao dia. Ele traz-me lanches variados ao longo da jornada e também me chateia quanto baste.
Eu sou uma privilegiada! Quantas e quantos adorariam ter quem lhes "consumisse" a cabeça? E eu também faço a minha parte para com eles. 😉
Este confinamento arrasta-se (para mim em particular e para muitos em geral) há um ano. Desde há um ano que "fechei" portas com a determinação de que era o certo a fazer em prol dos meus. Os meus sempre em primeiro lugar. Sempre à minha frente para que me possam também iluminar no Caminho que determinei. 
Há dias (aparentemente) impossíveis de aguentar, mas no final da noite quando todos e todas aqui podemos repousar, há sempre uma satisfação geral por termos ultrapassado mais um dia, mais uma etapa e continuarmos seguros e firmes nesta nossa história.
Sim, passou muito tempo desde a última vez que aqui escrevi. Sim, mudou muita coisa desde a última vez que aqui escrevi. Sim, o tempo continua a correr e a Vida a passar.
Portanto, olha sempre em frente e enfrente tudo o que tiver que ser enfrentado. Tudo o resto deixa passar ao lado*.
Até breve. A todas e a todos (que a formação em Igualdade de Género tem efeitos a longo prazo).
                                                                     
                                                                          *Conselho para utilização própria, interna e diariamente.


sábado, 7 de novembro de 2020

* É MUITO MAIS QUE UMA COR - PARTE 2 *


 

Há quatro anos atrás escrevi-vos o quanto uma cor significa muito mais que isso.

Hoje volto a escrever-vos com o mesmo sentimento, com a mesma certeza de que nos compete a nós Pais mostrar aos nossos Filhos as suas capacidades de voar, de resistir, de persistir e de seguir em frente as vezes que forem necessárias.

Hoje ambos os meus fizeram exame de karaté. Hoje ambos entraram no dojo com o coração pequenino, apertadinho, cheio de medo e de receio do futuro. 

Primeiro ele. Receoso do desconhecido e de uma avaliação que talvez ainda a sua imaturidade não lhe permita assimilar por inteiro. No caminho a pergunta: "E se eu não passar?", a resposta, sempre foi e sempre será a mesma: "Tenho muito orgulho em ti. Se não passares vais aprender onde tens que evoluir e melhorar. Também falhei muitas vezes e segui em frente. Estarei sempre aqui."

Depois ela. Sozinha com os Mestres. O dojo deve ter-lhe parecido um novo planeta! Inspirava e expirava superando a ansiedade que a assombrava. Enquanto aguardávamos a decisão, questionou: "E se eu não passar?" (onde é que eu já ouvi esta pergunta!!!)... "Tentaste Filha e isso é tudo o que eu te peço. Sabes que a única coisa que me faz ficar triste contigo é o facto de não fazeres alguma coisa com medo de falhar. Eu também falhei muitas vezes. Se falhares vais aprender onde melhorar. Tenho imenso orgulho em ti em qualquer um dos resultados. Não desististe e isso é o que importa. Estarei sempre contigo."

Ambos conseguiram superar estas etapas. Ele é amarelo. Ela é azul

E eu sou a Mãe mais chorona deste Mundo. Sofro por eles e com eles, nas alegrias e nas tristezas e aprendo tanto com as suas conquistas. Continuo convicta que o karaté foi a melhor exigência que poderia ter feito para eles em toda as suas Vidas. Quando eu já cá não andar, sei que as lições que aqui aprendem perdurarão para sempre nas suas mentes. Sei que tem feito deles melhores pessoas e também crianças mais felizes. Enfrentam a frustração e ganham em resiliência e motivação. 

Por tudo isto é que É MUITO MAIS QUE UMA COR.

*Benedita, 10 anos, cinturão azul. *Santiago, 7 anos, cinturão amarelo. 

*Daniela, 40 anos, chorona inveterada