sexta-feira, 26 de abril de 2019

* DA LIBERDADE *



Os portugueses têm motivos suficientes para celebrarem, com imensa alegria e um orgulho legítimo, o 25 de Abril como uma das datas de maior significado da nossa história. O 25 de Abril não só representa, para nós, a liberdade e a paz, como permitiu a libertação dos povos sujeitos ao domínio colonial português.

Disse Almeida Santos que “Comemorar Abril é reviver a alegria do reencontro de Portugal com a Liberdade!” e indo um pouco mais longe, poderíamos mesmo afirmar que se tratou do reencontro de Portugal consigo mesmo.
Por todo o país, o povo, que é soberano, abraça esta festa nacional, e a melhor homenagem que poderemos prestar ao 25 de Abril é a constante retomada do seu espírito. É renová-lo no nosso quotidiano e não deixar esquecer aquilo que se combateu e se derrubou. 
Comemorar Abril tem que ser para cada um de nós, continuar Abril, para que seja sempre possível aos portugueses renovarem a esperança em si próprios e no futuro deste nosso país.
Com o 25 de Abril recuperamos o pensamento livre, a palavra leve e solta, dissemos não aos poderes do Estado centralizados num só homem, não às colónias incendiadas pela guerra, não às famílias desfeitas pelo terror da insegurança e do desconhecido. Naquele dia reatamos os laços de irmandade que nos ligaram aos povos que honram e falam a língua portuguesa.
Quem nasceu em liberdade não se imaginará a viver de outra forma mas quem a conquistou por certo jamais a ela renunciará.
Os portugueses tornaram-se diferentes naquele Abril de 74, mesmo que por aí, ainda possam entoar ecos de alguns que insistem em permanecer iguais.
A esperança chegou naquele dia e com ela chegou também o reencontro de Portugal com o pluralismo democrático que a nossa Constituição consagra. 
E Abril é também defender e saudar a Constituição que temos. 
Não há constituições perfeitas, nem eternas, mas quando elas expressam a vontade livre de um povo, devemos salvaguardar nelas o que corresponde a tudo aquilo que nesse povo não muda. 
Por mais que alguns possam desejar ou profetizar, nós não somos, nunca fomos e jamais seremos um país de carneirinhos. 
Somos donos da nossa voz, das nossas ideias, defendemos ideais e lutamos por aquilo em que acreditamos: justiça, paz e solidariedade.
Naquele dia Portugal reencontrou-se também com a justiça social e com o respeito pelos direitos mais fundamentais do Homem e do cidadão e os portugueses sabem que sem democracia não existem direitos, não há liberdade sem pluralismo, nem solidariedade sem tolerância.
É nosso dever continuarmos a batalhar hoje e sempre por uma melhor democracia para Portugal, porque a liberdade não tem preço e é uma aventura que vale a pena viver!
Eu sou Abril e certamente que também vós aqui presentes o são, pois Portugal é uma causa livre e Abril faz-se de todos nós. Todos os dias, a todas as horas.
E celebremos o quadragésimo quinto aniversário do 25 de Abril com a vontade política e cívica de passar o testemunho às gerações mais novas e até mesmo àquelas que chegarão muito depois de partirem para a memória eterna os que viveram e fizeram Abril de 74.
A todos estes, personificados nos “capitães de Abril” mas que foram também militares desconhecidos, agradeço e homenageio hoje aqui com estes versos de Hélder da Câmara: 
Quando assistires
à retirada dos andaimes,
contempla... é claro...
o edifício que surge,
Mas pede pelos andaimes,
pois é duro servir de suporte
à construção,
ser necessário à obra,
e na hora da festa
ser retirado como entulho.
Os portugueses devem estar orgulhosos da liberdade de que dispõem e daquilo que ela lhes permite, mas têm que ter consciência de que ela acarreta também uma maior responsabilidade. Hoje cada vez mais chegam até nós notícias de atropelos à vida humana, nomeadamente no que respeita à violência doméstica. 
Lamentavelmente há ainda muito a fazer para que tenhamos uma sociedade erradicada da ignorância, da intolerância e do desprezo de alguns pelo direito máximo à Vida.
Acredito que as novas políticas de descentralização serão assim essenciais para permitir uma dinâmica equilibrada de desenvolvimento que levarão a iniciativas que operarão a mudança que a sociedade civil necessita e reclama. 
O 25 de Abril abriu-nos as portas ao futuro e permitiu-nos a todos a responsabilidade e o orgulho de ser português. Está nas nossas mãos tudo quanto precisamos para evoluir, para moldarmos o destino. O nosso destino.
Que saibamos juntos viver a liberdade, a inovação, os desafios e os riscos das nossas escolhas.
Finalizo esta intervenção com as célebres palavras de Ary dos Santos:
Enquanto nos mantivermos
todos juntos lado a lado
somos a glória de sermos
Portugal ressuscitado.
Agora o povo unido
nunca mais será vencido
nunca mais será vencido.

Viva a Liberdade.
Viva Avintes.
Viva Portugal.
25 de Abril Sempre.

*discurso que apresentei em representação do Grupo Parlamentar do PS na Assembleia de Freguesia de Avintes

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

* DO AMOR *


Poder-se-ia dizer muita coisa sobre o Amor. Sobre as várias formas do Amor e de amar.
Hoje só consigo pensar que o Amor de Mãe será porventura aquele que mais nos aquece o coração, mas também aquele que mais rapidamente o fará parar de bater.
Nada consola mais uma Mãe que o sorriso do seu filho e até mesmo as suas mais sérias discussões. Nada há para uma Mãe depois daquele que a deveria imortalizar.
Hoje é o dia do Amor, ou como diz o meu filho, o Dia dos Afetos. Hoje é o dia em que estendo os meus braços a todas as Mães que permitiram aos seus filhos uma partida em paz. Hoje é o dia em que também eu choro a dor dessas Mães porque não a quero nunca para mim.
Hoje é o dia de darmos a mão a todas as Mães que voltam para os filhos sem os Pais.
Hoje é dia de olharmos em frente e vivermos os sorrisos e as tristezas com a certeza de que nada mais importa que não seja o hoje, o agora.
Hoje eu só quero as gargalhadas dos meus filhos e os braços do meu Amor.

*Hoje o Ricardo faria 39 anos. Ontem o Rui partiu.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

* DIA DE AVINTES *


“E eis aí a obra-prima da freguesia de Avintes! O seu melhor título de glória, a mais eloquente afirmação do seu progresso – o edifício escolar! A construção deste edifício,  levada a cabo à custa de enormes sacrifícios, e à força de muita abnegação e trabalho, marca um período novo na história da freguesia de Avintes; e por ela se poderá avaliar, o quanto pode este povo quando se compenetra bem dos seus deveres, procura melhorar as suas condições, fazendo progredir a sua terra.”
Escolhi as palavras que Inocêncio Osório Lopes Gondim, natural de Avintes, utilizou para firmar o sentimento que se viveu na construção destas instalações inicialmente como uma Escola, para enaltecer e afirmar o sentimento atual que todos deveremos sentir com a abertura oficial da nossa Casa da Cultura.
No início do século XX, em Vila Nova de Gaia, apenas cinco das suas vinte e três freguesias tinham escolas oficiais em instalações próprias e Avintes destacava-se nesse panorama com dois casos – Cabanões e Palheirinho, local este onde hoje estamos e cuja atual denominação é Casa da Cultura Francisco Marques Rodrigues Júnior. Este foi um benemérito que sustentou e criou a Aula Gratuita; apoiou a escola de Cabanões, e a escola Manuel da Costa Soares; aulas de francês e a escola do Palheirinho.
Nesta sessão solene do Dia de Avintes abrimos as portas desta Casa à Comunidade porque foi a pensar nela e nas suas Instituições que este projeto nasceu.
E hoje, aqui, homenageamos com a atribuição da Medalha de Honra, três das IPSS's da nossa Terra que muito têm contribuído para a elevação da qualidade de vida social e cultural da nossa população em geral.
Respondendo às necessidades de todos aqueles que procuram uma resposta social às dificuldades que enfrentam no dia a dia.
Avintes é uma Terra de cultura, de proximidade e de ambição. É uma Terra que orgulhosamente dispõe de Homens e Mulheres capazes de fazer e dar o seu melhor em prol de todos e para todos, sem distinção de classes.
Estas Instituições nas suas variadas ambivalências, visam promover o progresso e minimizar as desigualdades sociais, bem como dar resposta às carências sentidas por várias famílias numa resposta social ativa, válida e eficaz.
Também hoje celebramos a atribuição do Diploma de Artesão de Mérito aos Pescadores de rio, uma profissão marcadamente tradicional de Avintes e que foi (e ainda é) de uma enorme importância na história da economia local da nossa Terra.
Que estes Diplomas possam expressar junto dos contemplados e daqueles que estes também representam, o brio e a dignidade desta atividade nas tradições da Terra e o reconhecimento público de todos.
Finalizo desejando que  esta Casa sirva os propósitos que nortearam a construção desta antiga Escola, na luta contra o analfabetismo cultural e elevando cada vez mais o orgulho avintense nas suas raízes, nas suas Instituições e principalmente, nas suas gentes. Porque um século depois de termos sido referência na realidade do nosso concelho com duas escolas em instalações próprias, somos novamente referência com a nossa Casa da Cultura.
Parabéns Avintes.
*discurso que apresentei em representação do Partido Socialista de Avintes.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

* UM PASSO DE CADA VEZ *


Às amizades que se renovam quando o sentimento permanece.
Que 2019 nos traga um novo caminho para percorrer.


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

* 20 ANOS NUMA VIDA *


Não conheço ninguém que me pudesse amar tanto durante tanto tempo e me soubesse fazer assim tão feliz. 
Por vezes nem eu me suporto! 
20 anos de nós. 
Algum dia passarias a ocupar o primeiro lugar! 
Amote assim nos nossos erros, lapsos, com o meu egoísmo e muito mimo, mesmo velho e rabugento. 
Porque sem saberes fui sempre eu quem mais precisou de ti. 
#ondeestivereseuestouondetuforeseuvou #20anosdepoisdeteroubarObeijo

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

* O PRIMEIRO DIA DO FIM *


Quando penso nos meus filhos imagino-os sempre a gargalhar! 
Com risos marotos ou envergonhados, com risos safados e risos enervados.
Hoje voltamos à escola e iniciamos para ambos o fim de um ciclo.
Ela, mais velha, finalizará o 1.º ciclo.
Ele, mais novo, finalizará o pré-escolar.
Hoje, ambos, iniciaram o fim destas etapas.
Hoje, como ontem, o meu coração aperta sempre na esperança de poder continuar a ver neles sorrisos e gargalhadas de felicidade.
Não os sonho médicos, nem vendedores, nem sequer advogados, sonho-os felizes. Sempre que fecho os olhos é isso que sonho, que imagino e que continuo a desejar-lhes.
Que cresçam felizes! Verdadeiramente felizes.
Poderão ser tudo aquilo que desejarem porque o Mundo é todo deles.
Que possam voar e sonhar que eu estarei sempre aqui ou ali, perto ou longe, suavizando todas as quedas e impulsionando para voos cada vez mais altos.
À minha Benedita e ao meu Santiago.
(sim no final deste ano letivo esta Mãe vai borrar a pintura. duas vezes.)

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

* IRMÃOS, AFILHADOS, COMPADRES E AMIGOS *

Confesso que quando recebi a notícia de que a Luísa iria chegar acendeu em mim aquela esperança de que eu poderia ser a sua madrinha.
O tempo foi passando, o convite não chegava e eu fui transformando essa ideia numa hipótese muito remota e quase impossível de concretizar. 
Depois percebi que uma madrinha não amaria mais aquela miúda que a sua tia. Pelo menos, não mais que esta aqui enquanto tia daquela ali. E isso trouxe-me paz e calma.
Estava conformada nessa posição quando o convite chegou. Num dia muito feliz para mim mas levada pelo cansaço a minha reação foi simples. Mas o meu coração transbordou! "Vamos batizar a Luísa e queremos que sejam os padrinhos." (soaram sinos aqui dentro. Eu fui a escolhida. A Tia seria também a Madrinha! Como poderia melhorar?)
Já escrevi o que esta miúda representa para mim e é difícil controlar a vontade de apertar as suas bochechas lindas e fofas. E o som das suas risadas enchem o espaço onde estivermos.
A Luísa é nossa afilhada mas é sobretudo uma sobrinha muito desejada e amada aqui por casa. Com ela reforçamos os laços ou os nós que nos unem e por ela permaneceremos juntos para que cresça feliz.
A 5 de Agosto batizamos a Luísa.


#porqueDeusébomeeusouumasortuda