sexta-feira, 10 de abril de 2026

* DAS COMUNICAÇÕES *

 O Rosto da Mobilidade: A Alma do Areinho na Espinha da 5 de Outubro


Ponto Prévio: Todas as imagens foram criadas com o auxílio de ferramentas de IA atenta a falta de jeito da autora para o desenho.


1. Introdução: A Cartografia Humana

Quando somos chamados a refletir sobre a "Mobilidade", a tendência imediata é levar o nosso pensamento para a abertura de mapas, analisar gráficos de tráfego e projetar infraestruturas. Pensamos em rotundas, semáforos, vias rápidas e horários de transportes. Contudo, a mobilidade não se circunscreve apenas ao ato físico da deslocação, ela é muito mais que isso, é forma como uma comunidade se liga a si mesma, ao seu território e ao mundo exterior que a rodeia. A mobilidade é o sangue a correr nas veias de uma terra.

Para refletirmos sobre a verdadeira dimensão da mobilidade em Avintes, proponho que não olhemos para a frieza de um mapa topográfico, mas sim para a complexidade de um rosto humano.

Num rosto que (como muitos outros) sente o peso e a responsabilidade de pensar esta Freguesia. Um rosto onde habitam duas forças viscerais, dois perfis distintos que se cruzam na estrada da nossa vida coletiva: a identidade da Avintense (o lado do passado e do afeto) e o pragmatismo da Autarca (o lado presente, e da gestão do futuro).

 

2. O Perfil Esquerdo: A Memória e o Rio


Se olharmos para Avintes através do prisma da memória — o perfil do coração —, encontramos uma definição de mobilidade muito distinta da atual. Deste lado, respira, vive e sente a Avintense.

No passado, a mobilidade da nossa Freguesia era ditada, sobretudo, pela geografia e pelo esforço físico humano, não por motores de combustão. O nosso grande eixo viário não era de alcatrão, mas sim de água. A nossa grande via era o rio. A mobilidade seguia o ritmo dos barcos rabelos no Rio Douro e o cheiro a lenha e farinha da broa que transportavam. Em terra, ir ao Areinho não era uma questão de logística ou de estacionamento; era uma espécie de peregrinação de domingo, um estender da toalha à sombra onde o tempo parava no longo período das férias escolares no Verão.

A Avintense sabe que essa mobilidade antiga era dura para as pernas, mas tinha rosto e era imensamente humana e reconfortante para a alma. A pressa não existia. Existia a pertença e a presença. As nossas vielas estreitas obrigavam a uma "mobilidade de proximidade", onde as pessoas não eram apenas um número numa estatística de tráfego. A lentidão dos nossos passos permitia-nos o cumprimento direto, conhecíamos o rosto de todos os que se cruzavam connosco. Éramos vizinhos, amigos e família.

Este perfil deve lembrar-nos que a mobilidade tem de servir a escala humana, e este planeamento não pode esquecer o prazer de se usufruir e contemplar a nossa Terra, sem o ruído constante dos motores.

 

3. O Perfil Direito: A Urgência e o Asfalto


Mas, o mundo acelerou.

A realidade impõe-se e sabemos que não podemos viver apenas da nostalgia da brisa do rio. Virando o rosto para o outro perfil, encontramos a Autarca. Este é o lado de quem tem de encarar de frente, entre outros, o caos da Estrada Nacional 222.

Deste lado, a poesia dá lugar à urgência. Sentimos as longas filas, o sufoco ambiental e a impaciência de quem quer chegar a casa, à escola ou ao trabalho, mas vê o tempo subtraído à família, ao descanso e à cultura, suspenso naquela imensa reta. A Autarca sabe que Avintes precisa de soluções que não cabem num barco rabelo. Temos de pensar em autocarros que cumpram horários, em rotundas que funcionem, na descarbonização do território e em desatar os nós que impedem a nossa Vila de evoluir e as Pessoas de fluírem.

Este lado exige respostas técnicas, exige orçamentos, exige rapidez, exige soluções para um futuro que não espera por nós mas o qual ansiamos muito atender. O futuro demanda eficiência e sustentabilidade e a mobilidade é atualmente o motor económico para a competitividade entre territórios.

 

4. A Artéria Ferida: A Rua 5 de Outubro


Como reconciliar, então, a poesia do Areinho com a pressão avassaladora da EN222?

A resposta deveria estar no nosso ponto de equilíbrio geográfico, naquela que é a nossa espinha dorsal: a Rua 5 de Outubro.

Mas, para pensarmos o futuro com seriedade, temos de ter a coragem de olhar para o presente com honestidade.

Hoje, a Rua 5 de Outubro não é um exemplo de harmonia; é um grito ensurdecedor de socorro. Esta via, que deveria ser a sala de visitas de Avintes, da nossa identidade intrínseca, está exausta. O seu pavimento vai cedendo aos poucos, ferido pelo peso de um trânsito manifestamente intenso que a sua estrutura centenária e nobre parece já não suportar.

Não são apenas as pedras que sofrem; são os vidros das casas que vibram à passagem dos veículos pesados e o sono de quem ali vive que é interrompido pela trepidação constante que o silêncio da noite não cala. A mobilidade moderna não pode ser o sacrifício do descanso de uns para a pressa em chegar de outros.

Onde deveria haver o passo calmo dos avintenses e a fluidez do comércio tradicional, há hoje vibração, degradação e a velocidade de quem usa Avintes muitas vezes apenas como atalho.

A Rua 5 de Outubro é a prova física de que a mobilidade mal gerida deixa marcas profundas e cicatrizes que não se conseguem disfarçar. Ela "sangra" porque tentámos forçar a mobilidade contemporânea num corpo antigo sem o devido cuidado. Recuperar esta rua não se pode cingir apenas a uma obra de engenharia para tapar buracos, ou assentar tampas; é imprescindível pensar-se  numa obra de resgate da nossa alma comunitária, da nossa dignidade.

 

5. A Mobilidade de Carácter: O Motor do Interesse


Se os buracos no asfalto se poderão resolver com obra e bom alcatrão, há um outro tipo de problema de mobilidade em Avintes que também exige uma reflexão profunda: a mobilidade cívica ou de carácter.

O desgaste da Rua 5 de Outubro encontra um triste paralelo num certo "imobilismo" crónico de alguns setores da nossa sociedade. Refiro-me àqueles que circulam pela via pública e comunitária em contramão com a verdade - os cidadãos que sofrem de uma "mobilidade seletiva".

Todos conhecemos esses perfis.

Há quem confunda “servir a terra” com “servir-se da luz da terra”. São os perfis que só aparecem para a fotografia de inauguração, com o sorriso bem ensaiado, mas que desaparecem quando o filtro da câmara não consegue esconder o pó e o suor do trabalho real. São aqueles que se apresentam constantemente como os "mártires da estrada", queixando-se em voz alta do quanto sofrem por Avintes e do quanto se sacrificam pelo bem de todos.

No entanto, quando analisamos a linguagem desta mecânica, percebemos que são “vítimas” com o taxímetro ligado. Só engrenam o motor e iniciam a marcha do veículo se o destino final for o pódio, o aplauso fácil ou o proveito pessoal. Se a estrada for plana, iluminada pelos holofotes e der direito a fotografia, vemos grandes velocidades. Mas, se o caminho exigir sacrifício real, trabalho anónimo ou de “segunda linha” e implicar sujar as mãos para consertar a "nossa rua" sem ninguém a ver, o motor destes grandes condutores gripa subitamente. Ficam na berma. Mais ainda, ficam na berma a buzinar e a romper o piso a quem está, de facto, a trabalhar.

Esta atitude não é amor à Terra; é manifesto transporte privado de interesses. E a verdadeira mobilidade de Avintes não se pode comover, nem demorar, com quem só quer conduzir o "carro vassoura" para recolher os louros no fim da corrida.

 

6. Conclusão: O Movimento que nos Une


O 36.º Fórum Avintense pede-nos também que projetemos o futuro. Esse futuro não se constrói apenas com cimento, exige que saibamos unir a eficiência pragmática da Autarca ao coração identitário da Avintense.

Que o futuro nos traga o respeito e a preservação do silêncio do Areinho. Que nos traga a inteligência estrutural para resolver os nós da EN222. Que nos traga a coragem e a capacidade de curar as feridas da nossa Rua 5 de Outubro.

Mas, acima de tudo, que nos traga uma verdadeira mobilidade de carácter. Avintes precisa de cidadãos dispostos a tapar os buracos do nosso caminho coletivo e não de "passageiros" que só querem boleia para o sucesso. Movamo-nos por verdadeira convicção e pelo bem comum. Pelo progresso que não esquece as raízes mas que as fortalece, sempre ligados, próximos e em movimento conjunto.

Avintes não pode, nem vai parar!

Avintes tem de continuar com a tração certa e as mãos limpas de qualquer vaidade. A nossa Freguesia precisa de todos nós ao volante do civismo.

Avintes precisa de verdadeiros construtores de caminhos. Vamos a isso?


Comunicação apresentada no 36.º Fórum Avintense sob o Tema: A Mobilidade: presente, passado e futuro

2026

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

* O POVO É QUEM MAIS ORDENA *

No passado dia 30 de outubro de 2025 discursei pela última vez enquanto Presidente da Assembleia de Freguesia de Avintes.



Mas foi também nesse dia que assumi e jurei novas funções desta feita enquanto vogal do Executivo que vai liderar a Freguesia no próximo quadriénio 2025/2029.


Eu sei que há muita descrença naqueles que decidem ser parte ativa na Sociedade em prol do Bem Comum, ou res publica.
Continuo a defender e a acreditar que não somos todos iguais e nunca deixarei que o ódio destilado me impeça de seguir o Caminho que jurei perante um Salão Nobre repleto de Pessoas. 
Pessoas amigas, Pessoas conhecidas, Pessoas que gostam de mim, Pessoas que não gostam de mim. Pessoas que são Avintes, Pessoas que vivem Avintes, Pessoas que amam Avintes.
O Povo decidiu a 12 de outubro de 2025 quem deveria governar a nossa Freguesia e o Povo é de facto ainda, felizmente, "quem mais ordena".
Tod@s tereis as portas abertas nas reuniões públicas e nas Assembleias de Freguesia e tod@s estais convidad@s a dar a cara pela defesa do que acreditais, respeitando a maioria que Avintes nos confiou, bem como a composição da oposição cujo papel é fundamental e imprescindível na Democracia Local e com quem trabalharemos para que Avintes tenha o Futuro que merece.

As fotos anteriores são da autoria do Senhor Pereira Lopes.

Partilho por fim o meu discurso para memória futura.

 


 

 


domingo, 5 de outubro de 2025

* DAS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS *

 

Ponto Prévio: manifesto que não sou, de todo, imparcial nas minhas palavras pelos motivos óbvios.

Lamento profundamente o estado da Democracia em que vivemos, mas principalmente que deixamos proliferar com as mensagens mais aberrantes que são transmitidas aos cidadãos e fundamentalmente, aos eleitores e votantes.

Não consigo perceber que se defenda o contrário de tudo quanto se fez ou foi dito ao longo de anos nos lugares próprios onde a Democracia local se faz. Que agora se diga que está tudo mal, quando nas Atas das Assembleias de Freguesia está registado o reconhecimento dessas Pessoas pelo bom trabalho realizado, apesar de ser necessário fazer ainda mais.

Não consigo perceber que gente que NUNCA se sentou nos lugares reservados ao público e aos Fregueses saiba dizer que conhece a nossa Freguesia de Avintes, se nunca escutou nenhum debate ou troca de ideias daqueles que legitimamente foram eleitos para representarem os cidadãos Avintenses.

Alguém que NUNCA manifestou qualquer interesse em saber como foi governado o dinheiro de todos nós, possa defender o que desconhece.

Acredito mesmo que muitos não sabem, de todo, o valor do orçamento anual de uma Freguesia. Da nossa Freguesia.

Desconhecem o comércio local, a Feirinha da Gandra, a Cris Armi, o cabeleireiro da Sónia, o da Gisela, o da Rosita, o da Cristina, o da Sílvia, o da Márcia, o da Patrícia, o da Irene, e de outras tantas, e das muitas barbearias que também temos em Avintes. Desconhecem as ourivesarias, as lojas de eletrodomésticos, as lojas de utilidades para o dia a dia, os cafés, o Mercadinho das Portelas, a Frutaria Ferreira, os talhos, as Associações...

Desconhecem ainda as Pessoas que fazem de Avintes a melhor Freguesia para se viver no concelho de Vila Nova de Gaia.

É evidente que eu não frequento todos estes lugares, mas sei da fibra de que são feitas estas gentes que lutam diariamente para aqui permanecerem, porque amam a sua Terra, porque acreditam que há lugar e espaço para se crescer mais e para se fazer o melhor que é possível com os parcos recursos económicos que o Governo Central disponibiliza às Freguesias.

Não sou isenta. Sou uma cidadã livre, com valores e determinação e não concebo, nem posso conceber que façam ou queiram fazer dos Avintenses marionetas num jogo de palavras e de promessas que sabem não ser possível concretizar. Mas principalmente, não posso manter-me calada quando quem connosco lutou e teve a possibilidade de manifestar nos locais próprios as suas opiniões enquanto representantes daqueles que lhes confiaram o voto, publicitem agora o contrário do que está oficialmente registado.

Dia 12 de outubro está nas mãos de cada um e cada uma de nós, colocar a X no sítio certo.

Não, não somos tod@s iguais.

Sim, permaneço fiel aos valores democráticos em que acredito e que defendo, mas principalmente, que ensino aos meus Filhos. Porque a escoliose que tenho em nada prejudica a minha verticalidade.

domingo, 30 de março de 2025

* A MORTE É DO CARAÇAS *

Este não é um grande título! Mas há algum bom título para falar da morte?

Há pouco mais de um mês a morte chegou sem se anunciar à minha Família. Um dos nossos morreu...

O tempo fugia-me no parque de estacionamento do hospital enquanto procurava incessantemente encontrar um lugar para deixar o carro. Corri à chuva, desorientada na imensidão do hospital. Já deram conta que o hospital é ENORME? Pareceu-me avassalador não saber qual era a minha direção, porque a minha missão eu sabia-a muito bem. Tinha que chegar até ele. Ele esperava-me e eu sabia disso. E ele sabia que eu chegaria. Nada me poderia impedir.

Chorei sentada no banco da receção. Escutei palavras de uma desconhecida que me pedia resignação para aceitar o que me esperava. Mostrou-me os tubos que saíam de dentro de si. "Não podemos fazer nada." dizia-me. Eu acenava com a cabeça e as lágrimas corriam pelo meu rosto.

O tempo fugia-me e pediam-me resignação!?

Peçam que me resigne depois de cumprir com a minha missão. Nunca antes.

Eu cheguei. Cumpri. E ele morreu. 

Ia escrever que ele partiu, mas não foi assim que contei ao meu filho. Não há o "melhor modo" para dizermos a quem amamos, que alguém que amamos morreu. Então, disse-lhe diretamente e sofremos os dois. 

Sempre disse que as mães têm super poderes. Exceto o de retirar a dor aos nossos filhos. E era esse o que eu mais queria. Sofrer as dores por eles. Sempre.

A morte quebra muitas coisas mas não quebra os elos da Vida. Não quebra o Amor. Não quebra a Família.

A morte é do caraças mas nós somos mais.

Um beijO grande.



sábado, 24 de fevereiro de 2024

* CONTINUA A SER MUITO MAIS QUE UMA COR *

Durante a minha gravidez sempre tive um medo irracional (diria até estúpido) de não conseguir amar dois filhos da mesma maneira. 🤷🏻‍♀️
Depois de uma Benedita eu só desejava um filho que, além de saudável, soubesse dormir. 🙃
O Santiago entrou na minha Vida e transformou-a. Fez de mim uma pessoa mais humana, mais consciente das suas fragilidades mas principalmente, foi ele quem me permitiu assumir e enfrentar os meus maiores medos.
O miúdo das pestanas grandes, do coração gigante e das birras mais complexas cresceu tanto e eu cresci com ele! 💙
Às vezes tenho dificuldade em perceber "o seu Mundo" e as questões que o atormentam quando nem delas (supostamente) deveria ter conhecimento, mas ele questiona, ele abraça e ama de um modo genuíno. E depois sorri e segue em frente no seu Caminho.
Hoje ultrapassou mais uma etapa. Alcançou mais um cinto, o da sua cor preferida. 
O karaté continua a ser (e para mim será sempre) muito mais que uma cor. Também eu ao longo destes anos aprendi muito, principalmente a escutar os meus filhos.
Hoje o Santiago superou mais um patamar e eu orgulho-me de ter gerado um Filho como ele... Que descomplica o meu coração de Mãe.
O Santiago é azul e eu sou abençoada por tê-lo comigo.
Parabéns Santiago. Continua a mostrar-me que as minhas dúvidas são tão "parvas" como as minhas birras.
Amo-te Filho e vou amar-te mesmo quando já não me puderes ver.





segunda-feira, 6 de novembro de 2023

* SIM, MESTRE. *

Foi num dia seis, também ele chuvoso, deste ano de dois mil e vinte e três que finalizei mais uma etapa da minha Vida.
Na sala de atos da Escola de Direito da Universidade do Minho sentaram-se os meus. O Ângelo, a Benedita e o Santiago para assistirem à minha prestação pública de provas. Sentei também, na primeira fila, os meus medos, os meus demónios e as minhas inseguranças... sorri para todos e elevei a cabeça para que assistissem ao meu triunfo.


Preparei a minha apresentação apenas no dia anterior. Sabia de cor tudo quanto nela havia escrito. Foram quatro anos da minha Vida que dediquei até chegar à apresentação da tese - "O Referendo Local: desafios à participação cívica ou necessidade de dupla legitimação?".


Ultrapassar a crise provocada pela pandemia da Covid para levar até ao fim uma tese não foi de todo fácil. O medo (sempre presente) de falhar, de não ser suficiente ou até capaz de concluir aquela etapa assombrou cada dia que por mim passou.
Naquele dia seis fui eu quem venceu. Defendi a minha tese com a mesma convicção com que a pensei e elaborei. Orgulhosa de mim. Grata por todos os que passaram por mim nessa fase e me ajudaram a seguir em frente.

  


Finalizei a defesa com a frase que escolhi para constar do meu trabalho da Jangada de Pedra, de José Saramago:


Acredito que esta frase se aplica a pessoas, países e freguesias. Sempre acreditarei.

Este projeto só foi possível de concretizar porque ao meu lado tive e tenho Pessoas incríveis que sempre acreditaram em mim e por isso lhes deixei o meu agradecimento:


No final, após deliberação do Júri, voltamos à sala para descobrir quem acertou na nota final... foi o (meu) Ângelo... e escutar as palavras que me foram dirigidas. Belas palavras que encheram o meu coração de alegria e fez a Família vibrar comigo.

Ao Júri o meu maior respeito e consideração pelo modo como conduziram a minha defesa. Pelas pertinentes questões e observações e pelo incentivo em fazer mais que me foi dirigido. Obrigada.


Da esquerda para a direita: Prof. Doutor Carlos Abreu Amorim (Presidente); Profª Doutora Maria do Rosário Anjos (Arguente); Mestre Daniela Castro e Profª. Doutora Isabel Fonseca (Orientadora).

Naquele dia seis saí da Escola de Direito como entrei: acompanhada pelos meus, rodeada dos seus abraços, sorrisos e beijos. Os quatro sempre juntos, os quatro de mão dada.
Academicamente saí um pouco diferente, saí Mestre em Direito Administrativo com Especialização em Direito das Autarquias Locais.

Sejam felizes.

quinta-feira, 20 de julho de 2023

* O TEMPO PASSOU *

Ando há imenso tempo para passar aqui e escrever... e agora que o fiz, tomo consciência que há mais de um ano que nada escrevo. 

Como é possível que o tempo passe assim!?

Desde que escrevi pela última vez, já perdi pessoas para outra dimensão e deixei seguir pessoas nesta dimensão; conquistei títulos; viajei com amigos e viajamos os quatro e "escapei" a dois; assisti a injustiças e lutei pelo que acredito.

O tempo passou e os miúdos cresceram ou melhor, continuam a crescer. E temos rido muito em conjunto e fortalecido os laços eternos que nos unem. Claro que discutimos também (então? parece que não me conhecem!) mas estamos todos (sempre) a aprender este Caminho de sermos Pais e eles serem Filhos; de envelhecermos, nós e eles, no rodopio assolado dos dias que muitas e tantas vezes nos fogem por entre as mãos.

Chorei muito nestes doze meses e tive muitas vezes medo. Esse medo "tolo" de não ser suficiente, de não ser capaz, de estar doente, de não ser o que precisam que eu seja… mas sempre soube quem sou e como sou. 

Nestes doze meses realizei sonhos aos meus e sonhos meus; atravessamos pontes e construímos pontes; abracei muito e beijei; descobri uma arte de defesa pessoal que adoro (mas que me fez tomar consciência de que tenho ossos fracos 😂) e cresci. Crescemos todos.

Já passaram mais de doze meses e eu deveria ter escrito aqui muitas coisas que ficam por escrever. Cada uma no seu tempo, no tempo que, agora, já passou!

Até breve.

quarta-feira, 1 de junho de 2022

* DIA UM *

 



São algumas (muitas) as vezes que ouço dizer "Às vezes pareces uma criança!" e embora possa parecer pejorativo o sentido da frase eu não o encaro assim. 😉

Manter o espírito de uma criança é fundamental para continuar a sonhar e para perceber que o nosso crescimento é contínuo.

Eu já fui aquela criança da fotografia... no tamanho e na idade, mas serei sempre aquela criança nos sonhos, nas palavras, no sorriso maroto e na alegria de viver tão intensamente quanto eu possa sentir.

Há precisamente um ano iniciei um novo percurso... ao dia um. Os meus dias um.

Que o espírito de criança nunca me abandone para que eu sempre lembre a certeza do passo que dei e a vontade com que o dei.

Eu já fui aquela criança da fotografia... e enquanto eu me rever e sentir nela, está tudo bem.

Feliz dia da criança.


terça-feira, 24 de maio de 2022

* DA FELICIDADE E OUTRAS COISAS *


 
O que é a "felicidade"?
Não venho aqui partilhar nenhum texto no campo da filosofia ou da psicologia porque não são áreas que me digam respeito.
Mas partilho aqui a minha vivência da "felicidade".
Eu choro.
Eu choro muito. Por tudo e por nada.
Choro por alegria das conquistas dos meus. Choro por alegria das conquistas dos outros.
Libertei-me do "não se chora" há muito tempo.
Um filme da Disney faz-me chorar, assim também músicas da rádio ou histórias de desconhecidos.
"Felicidade" é isto. Assumir os meus sentimentos e não ter medo de os sentir.
Eu choro e eu rio. Eu sou intensa nos sentimentos. Também o sou nos abraços. Nos beijos de mãe-gata. Nas gargalhadas. Nos espirros e nos soluços. Nas discussões. Nos aplausos. Na amizade.
Durante muito tempo penitenciei-me por "ser feliz". "Contas para pagar, miúdos para educar, trabalho para fazer... como é que eu posso ser e sentir-me feliz, se à minha volta só se queixam?"
Finalmente percebi que "a culpa" (se existe) não é minha. Dentro de cada um de nós há uma luta diária que só nós conhecemos e o meu Caminho é só meu.
Então "o que é a felicidade"?
Eu aceito a minha.

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

* TOD@S TEMOS DEMÓNIOS *


 
Não importa a (tua) idade. Nem culpar o Mercúrio retrógrado (não sei o que é mas li isto em algum lado).
A verdade é que tod@s temos demónios. Internos ou externos, somos tod@s humanos e deles não nos livramos.
Crescemos com medo das sombras, do escuro, do "monstro" que dorme debaixo da nossa cama, até ao dia em que o enfrentamos e não passa de simples cotão.
Depois somos adultos e as "guerras" são tantas. Connosco e com os outr@s. E os demónios não te abandonam. Eles permanecem ao teu lado, sempre à espera da oportunidade de te fazer quebrar. De te levar a cair. De voltares à insegurança da criança com medo de simples cotão.
Ter medo é comum e normal, faz-nos perceber a responsabilidade dos atos que praticamos ou daqueles que omitimos.
Aos 41 anos aprendo ainda muito sobre os meus medos e decido enfrentar aqueles que de facto têm impacto em mim, todos os outros vou descobrindo que são apenas cotão e para isso basta aspirar.
Eu posso mudar muita coisa mas não posso alterar o carácter das pessoas. Esses são os monstros delas... e com esses posso eu bem.
Bem-vindo 2022.

terça-feira, 30 de novembro de 2021

* DA MINHA JANELA *



Da minha janela encerro novembro com a ansiedade que caracteriza a minha espera por dezembro.
O agridoce que me traz não me faz perder o brilho nos olhos e o quente do coração.
Encerro novembro e encerro também seis meses de uma mudança de Vida (profissional) que me fez crescer mas, que me fez duvidar de mim em tudo o mais que sou para além da profissão.
Somei muitos medos mas enfrentei-os a todos... com lágrimas e com sorrisos, com abraços e aconchegos e aos poucos vou permitindo que o meu coração sossegue.
Assumi a dura realidade de que as Mães "nada curam" e "pouco podem" perante a dor de um Filho. Chorei a minha insignificância segurando-o no colo "que só eu sei dar". Será, porventura, esse o meu superpoder? Confortar-te no meu colo.
"As mães não têm superpoderes. As mães amam."
Da minha janela (do trabalho) vejo o nevoeiro desvanecer e com ele desejo que parta também toda a insegurança que ainda resista neste coração.
Da minha janela encerro novembro.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

* SOPREI AS VELAS *


No passado dia 18 celebrei 41 anos de Vida.

E ninguém desconhece esta minha paixão por acumular anos de Vida... adoro fazer anos, mas principalmente envelhecer com saúde e qualidade.

Os quarenta trouxeram até mim a concretização de mais alguns sonhos/desejos pelos quais batalhei, aliás mudei profissionalmente toda a minha vida. E que bem que me sabe enfrentar novos desafios, viver novas realidades, conhecer novas pessoas e continuar no Caminho que me faz feliz. Só assim sei viver e só assim quero continuar.

Mas os quarenta também trouxeram até mim desafios que, conscientemente, não procurei mas que aceitei concretizar porque abraço os projetos convicta da diferença que posso/podemos fazer na vida das pessoas.

E o dia do meu aniversário foi (im)perfeito... acordei ao lado dele e pude ir acordar os meus filhos. Pude levar o mais novo à escola e almoçar umas tapas e uma ótima sangria na companhia do maridão. Fui buscar o mais novo à escola e deitei-me na cama para dormitar. O jantar não foi por mim feito (como tem vindo a acontecer nestes últimos meses) mas os sorrisos deles encantam e aquecem o meu coração. Terminei deitada novamente ao lado dele.

Sou complicada comigo própria, exijo de mim  mais do que exijo dos outros e isso consome muita da minha energia para me fazer controlar e permitir-me "deixar andar" algumas vezes. Mas o brilho e o coração palpitante em todas as conquistas sabem que vale sempre a pena continuar, mesmo nos dias em que o Sol não brilha.

Sejam felizes... a Vida é um sopro e nós não sabemos de quantas velas!

 

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

* SINTO QUE ME ESTOU A REPETIR *


Sim, incrivelmente (ou não) começa a repetir-se o facto de eu me aperceber que não tenho escrito por aqui tanto quanto me agrada.
Estes tempos pandémicos preencheram o meu tempo com tantas tarefas que depois vou deixando para lá muito daquilo que me faz bem e me faz vibrar.
Desde março até hoje muitas coisas na minha Vida se alteraram... realizei mais uns quantos sonhos e fui atrasando a concretização de outros.
Mas tudo isto para vos dizer que estou de volta e desta vez para me comprometer a escrever com maior regularidade mas sempre com o mesmo propósito... eternizar os meus pensamentos.
Até breve. Sejam felizes.

sexta-feira, 26 de março de 2021

* NEM ACREDITO QUE PASSOU TANTO TEMPO *

 


Fiquei admirada quando verifiquei que a última vez que aqui escrevi foi em novembro passado!
Celebrei o Natal e entrei no novo Ano... comemorei vinte e dois anos de um Am❤r, que às vezes é desamor também mas nem por isso nos desmotiva a fazer melhor e a ir mais além. Sempre.
Confinei (e ainda confino) em casa, seguindo todas as regras determinadas. Protejo os meus e as minhas o melhor que posso e consigo. E está certo. Para mim e para eles e elas.
Devolvi o meu Filho mais novo à escola. O melhor lugar do Mundo para combater a ignorância. (Tivessem todos e todas combatido a ignorância e talvez não estivéssemos neste "caos", mas isso seria tema de outra publicação).
Mantenho a minha Filha mais velha em casa. A ler, a escrever, a brincar e a "dar comigo em doida" (às vezes). São 11 anos... compreendo e sou solidária!
Partilho o escritório de casa com o marido. Tem dias que é maridão! Tem outros em que é apenas Ângelo! Mas é sempre, e para sempre, em qualquer uma dessas versões, o meu grande Am❤r. Bebemos café juntos várias vezes ao dia. Ele traz-me lanches variados ao longo da jornada e também me chateia quanto baste.
Eu sou uma privilegiada! Quantas e quantos adorariam ter quem lhes "consumisse" a cabeça? E eu também faço a minha parte para com eles. 😉
Este confinamento arrasta-se (para mim em particular e para muitos em geral) há um ano. Desde há um ano que "fechei" portas com a determinação de que era o certo a fazer em prol dos meus. Os meus sempre em primeiro lugar. Sempre à minha frente para que me possam também iluminar no Caminho que determinei. 
Há dias (aparentemente) impossíveis de aguentar, mas no final da noite quando todos e todas aqui podemos repousar, há sempre uma satisfação geral por termos ultrapassado mais um dia, mais uma etapa e continuarmos seguros e firmes nesta nossa história.
Sim, passou muito tempo desde a última vez que aqui escrevi. Sim, mudou muita coisa desde a última vez que aqui escrevi. Sim, o tempo continua a correr e a Vida a passar.
Portanto, olha sempre em frente e enfrente tudo o que tiver que ser enfrentado. Tudo o resto deixa passar ao lado*.
Até breve. A todas e a todos (que a formação em Igualdade de Género tem efeitos a longo prazo).
                                                                     
                                                                          *Conselho para utilização própria, interna e diariamente.


sábado, 7 de novembro de 2020

* É MUITO MAIS QUE UMA COR - PARTE 2 *


 

Há quatro anos atrás escrevi-vos o quanto uma cor significa muito mais que isso.

Hoje volto a escrever-vos com o mesmo sentimento, com a mesma certeza de que nos compete a nós Pais mostrar aos nossos Filhos as suas capacidades de voar, de resistir, de persistir e de seguir em frente as vezes que forem necessárias.

Hoje ambos os meus fizeram exame de karaté. Hoje ambos entraram no dojo com o coração pequenino, apertadinho, cheio de medo e de receio do futuro. 

Primeiro ele. Receoso do desconhecido e de uma avaliação que talvez ainda a sua imaturidade não lhe permita assimilar por inteiro. No caminho a pergunta: "E se eu não passar?", a resposta, sempre foi e sempre será a mesma: "Tenho muito orgulho em ti. Se não passares vais aprender onde tens que evoluir e melhorar. Também falhei muitas vezes e segui em frente. Estarei sempre aqui."

Depois ela. Sozinha com os Mestres. O dojo deve ter-lhe parecido um novo planeta! Inspirava e expirava superando a ansiedade que a assombrava. Enquanto aguardávamos a decisão, questionou: "E se eu não passar?" (onde é que eu já ouvi esta pergunta!!!)... "Tentaste Filha e isso é tudo o que eu te peço. Sabes que a única coisa que me faz ficar triste contigo é o facto de não fazeres alguma coisa com medo de falhar. Eu também falhei muitas vezes. Se falhares vais aprender onde melhorar. Tenho imenso orgulho em ti em qualquer um dos resultados. Não desististe e isso é o que importa. Estarei sempre contigo."

Ambos conseguiram superar estas etapas. Ele é amarelo. Ela é azul

E eu sou a Mãe mais chorona deste Mundo. Sofro por eles e com eles, nas alegrias e nas tristezas e aprendo tanto com as suas conquistas. Continuo convicta que o karaté foi a melhor exigência que poderia ter feito para eles em toda as suas Vidas. Quando eu já cá não andar, sei que as lições que aqui aprendem perdurarão para sempre nas suas mentes. Sei que tem feito deles melhores pessoas e também crianças mais felizes. Enfrentam a frustração e ganham em resiliência e motivação. 

Por tudo isto é que É MUITO MAIS QUE UMA COR.

*Benedita, 10 anos, cinturão azul. *Santiago, 7 anos, cinturão amarelo. 

*Daniela, 40 anos, chorona inveterada

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

* ESCREVE-ME *

Eu sei que parece impossível mas daqui a alguns dias, neste meu outubro, chegarei aos 40.
Há já muitos anos que espero a chegada desta idade, talvez tanto como esperei os 18 ou os 33. 
A verdade é que eu adoro fazer anos. 
Envelhecer é algo que me fascina, pela maturidade(!), pela experiência, pela Vida que se acumula em mim e que eu tanto amo viver. Sim, vivo tão intensamente que passo grande parte do tempo a reclamar e a sofrer (desnecessariamente), mas pronto, sou assim, vou tentando mudar (e o muito que já mudei), mas o mais importante é que vivo tudo, mesmo tudo, ao máximo.
Então, 40 anos a chegar e o que gostavas que te oferecessem?
Ah e tal, adorava que me escrevessem. Sim. 


Escreve-me mesmo. Adorava receber palavras tuas. 
Se fiz ou faço parte da tua Vida, escreve-me. Conta-me uma história que passamos juntos e nunca esqueceste. Conta-me como te magoei daquela vez em 1992! Diz-me o que mais te impressionou em mim enquanto fui tua aluna ou tua colega de escola. Qualquer coisa, mas escreve-me.
Mas eu não sei o que te escrever! Então, escreve-me apenas "parabéns".
Vá lá escreve-me. Preferencialmente uma carta, em papel (que eu tanto adoro), mas também tenho um email (especialmente criado para esse efeito).

Já dizia Florbela Espanca:
Escreve-me!
Ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!
Escreve-me! (...)

Podes presentear-me para este email: aos40daniela@gmail.com ou vai ainda mais longe e envia-me (ou entrega em mão) uma carta de papel.

Eu fico à espera, assim como espero os 40.

domingo, 6 de setembro de 2020

* JÁ SÃO 7 FILHO! *


2020 pode ter muitos defeitos mas trouxe até ti o teu 7° aniversário e eu sou-lhe grata por isso.
Sabes Filho, a Vida não é tão clara e transparente como esta água mas eu desejo que saibas sempre ver, no teu coração e na tua cabeça, as impurezas que necessites afastar do teu Caminho.
7 anos!
Não quero que o tempo pare. A Vida é para viver e andar em frente. Quero apenas que o tempo me permita ver-te (ver-vos) crescer mais um pouco.
Parabéns meu Filho. O Mundo é todo teu. Vai.

* * * * * * * 


                              Legenda: Quando o coração transborda.




 

quinta-feira, 30 de julho de 2020

* O COVID CHEGOU SEM SER CONVIDADO *

Num ano tão peculiar como este 20 20, creio que ninguém sonhava algo tão "maquiavélico" como o Covid-19.
E, num instante, num de repente, tivemos que "fechar" um País, fechar casas, fechar sorrisos atrás de máscaras, encerrar abraços em toques de cotovelos e viver uma realidade que só nos filmes podemos encontrar!
No entanto apesar desde "encerramento" para o Mundo desde março, a Vida continuou e continua. Infelizmente muitas foram as Vidas perdidas neste tempo que não permitiu os abraços de conforto que estas situações nos pedem e exigem.
Mas também se celebraram aniversários e muitos nascimentos.
A Vida deve ser celebrada diariamente e junto dos nossos. A Vida tem que ser vivida, sem fingimento, com alegria, com intensidade, com projetos e com sonhos.
Vivi estes meses "refugiada" dentro de casa para acompanhar os meus Filhos no percurso escolar que teve necessariamente que continuar dentro de portas.
Vivi momentos intensos de alegria, mas outros tantos de medo por poder falhar nesta aventura e nesta missão que me foi confiada.
Chorei e ri muito. Gritei, berrei e até rasguei folhas. Milagrosamente a borracha do meu Filho ainda conseguiu sobreviver para chegar às férias.... e se há utensílio que precisava de férias era a borracha do meu Santiago.
No final, colhemos os bons frutos do trabalho desenvolvido. Ambos me deixaram orgulhosa do caminho que traçaram e percorreram. Caminhos distintos (e para mim muitas vezes é difícil olhá-los de modo individual), mas cada um à sua maneira colheu os bons frutos das sementes que plantaram e regaram.
Pese embora eu não tenha sido sujeita a uma avaliação formal parece-me justo numa auto-avaliação singela classificar-me ao mesmo nível que aqueles dois e considerar que completei de forma muito satisfatória todo o meu percurso nestes três meses. Sobre as etapas do meu percurso académico não me posso avaliar deste modo porque as coloquei de parte em prol dos meus Filhos. (E digam o que disserem, resmungue eu o que resmungar, aqueles dois miúdos SEMPRE estarão na frente de qualquer projeto meu - entendam isto na perspectiva de necessidade urgente, claro está).
Esperei 2020 com os sonhos de quem chegará (assim espero) aos quarenta neste ano e por isso com muitos projetos por concretizar, desafios para concluir e etapas para terminar. Provavelmente não me será possível colocar um ☑ à frente de cada um deles mas se há pessoa que sempre consegue remodelar as suas listas, é esta aqui.
Já ultrapassamos metade deste ano, já superamos várias provas que nos foram chegando e com toda a certeza cá estaremos para superar todas as que precisem ser superadas.
O Covid chegou sem ser convidado e, embora eu não acredite na redenção da Humanidade, acredito que ele permitiu que todos aqueles que estivessem dispostos a isso, se reinventassem, se transformassem e alcançassem os feitos que mais lhes agradaria. Eu, por exemplo, entre outros, consegui atingir a meta dos 10 kms em corrida.
Que 2020 possa, entretanto, encontrar Paz e tranquilidade para prosseguir um pouco mais leve e consciente daquilo que é verdadeiramente importante para cada um de nós.




terça-feira, 3 de março de 2020

* UMA VEZ *


Já muitas vezes te disse o quanto te sonhei e na loucura dos dias que passam, na loucura que me provocas, continuo a sonhar-te a "menina que tudo pode".
A Eduarda não me conhece, ou melhor, conhece-me apenas como a D. Daniela (que isto de se ser quase quarentona já tem algum peso), Mãe da Benedita.
A Eduarda não me conhece mas escreveu para ti a personagem que transmite o que sempre te disse e ainda digo: "Podes ser tudo o que quiseres. Aqui (no coração) e aqui (na cabeça)."


Que a Vida, o destino, os escritos, acredita no que quiseres, sempre te transmitirão os ensinamentos da tua Mãe. Sempre levarão até ti o tanto que te quero dizer, ensinar, partilhar. Mesmo quando eu já cá não estiver.
Num dia especial como é o 29 de fevereiro, eu vi magia acontecer naquele palco. Vi quinze crianças levantar uma plateia, cheia, com o coração a transbordar pela beleza do que nos ofereceram.


Conto-te um segredo, tremi do início até ao fim, mas valeu bem a pena. Sempre vale.


Voa filha, voa tudo o que desejares e quiseres. O meu ninho será sempre o teu ninho sejas patinho feio ou o cisne mais belo.


Peça "Uma Vez", inspirada nos contos populares infantis, com encenação e texto original de Eduarda Alves e produção dos Plebeus Avintenses.