Este não é um grande título! Mas há algum bom título para falar da morte?
Há pouco mais de um mês a morte chegou sem se anunciar à minha Família. Um dos nossos morreu...
O tempo fugia-me no parque de estacionamento do hospital enquanto procurava incessantemente encontrar um lugar para deixar o carro. Corri à chuva, desorientada na imensidão do hospital. Já deram conta que o hospital é ENORME? Pareceu-me avassalador não saber qual era a minha direção, porque a minha missão eu sabia-a muito bem. Tinha que chegar até ele. Ele esperava-me e eu sabia disso. E ele sabia que eu chegaria. Nada me poderia impedir.
Chorei sentada no banco da receção. Escutei palavras de uma desconhecida que me pedia resignação para aceitar o que me esperava. Mostrou-me os tubos que saíam de dentro de si. "Não podemos fazer nada." dizia-me. Eu acenava com a cabeça e as lágrimas corriam pelo meu rosto.
O tempo fugia-me e pediam-me resignação!?
Peçam que me resigne depois de cumprir com a minha missão. Nunca antes.
Eu cheguei. Cumpri. E ele morreu.
Ia escrever que ele partiu, mas não foi assim que contei ao meu filho. Não há o "melhor modo" para dizermos a quem amamos, que alguém que amamos morreu. Então, disse-lhe diretamente e sofremos os dois.
Sempre disse que as mães têm super poderes. Exceto o de retirar a dor aos nossos filhos. E era esse o que eu mais queria. Sofrer as dores por eles. Sempre.
A morte quebra muitas coisas mas não quebra os elos da Vida. Não quebra o Amor. Não quebra a Família.
A morte é do caraças mas nós somos mais.
Um beijO grande.