sexta-feira, 10 de abril de 2026

* DAS COMUNICAÇÕES *

 O Rosto da Mobilidade: A Alma do Areinho na Espinha da 5 de Outubro


Ponto Prévio: Todas as imagens foram criadas com o auxílio de ferramentas de IA atenta a falta de jeito da autora para o desenho.


1. Introdução: A Cartografia Humana

Quando somos chamados a refletir sobre a "Mobilidade", a tendência imediata é levar o nosso pensamento para a abertura de mapas, analisar gráficos de tráfego e projetar infraestruturas. Pensamos em rotundas, semáforos, vias rápidas e horários de transportes. Contudo, a mobilidade não se circunscreve apenas ao ato físico da deslocação, ela é muito mais que isso, é forma como uma comunidade se liga a si mesma, ao seu território e ao mundo exterior que a rodeia. A mobilidade é o sangue a correr nas veias de uma terra.

Para refletirmos sobre a verdadeira dimensão da mobilidade em Avintes, proponho que não olhemos para a frieza de um mapa topográfico, mas sim para a complexidade de um rosto humano.

Num rosto que (como muitos outros) sente o peso e a responsabilidade de pensar esta Freguesia. Um rosto onde habitam duas forças viscerais, dois perfis distintos que se cruzam na estrada da nossa vida coletiva: a identidade da Avintense (o lado do passado e do afeto) e o pragmatismo da Autarca (o lado presente, e da gestão do futuro).

 

2. O Perfil Esquerdo: A Memória e o Rio


Se olharmos para Avintes através do prisma da memória — o perfil do coração —, encontramos uma definição de mobilidade muito distinta da atual. Deste lado, respira, vive e sente a Avintense.

No passado, a mobilidade da nossa Freguesia era ditada, sobretudo, pela geografia e pelo esforço físico humano, não por motores de combustão. O nosso grande eixo viário não era de alcatrão, mas sim de água. A nossa grande via era o rio. A mobilidade seguia o ritmo dos barcos rabelos no Rio Douro e o cheiro a lenha e farinha da broa que transportavam. Em terra, ir ao Areinho não era uma questão de logística ou de estacionamento; era uma espécie de peregrinação de domingo, um estender da toalha à sombra onde o tempo parava no longo período das férias escolares no Verão.

A Avintense sabe que essa mobilidade antiga era dura para as pernas, mas tinha rosto e era imensamente humana e reconfortante para a alma. A pressa não existia. Existia a pertença e a presença. As nossas vielas estreitas obrigavam a uma "mobilidade de proximidade", onde as pessoas não eram apenas um número numa estatística de tráfego. A lentidão dos nossos passos permitia-nos o cumprimento direto, conhecíamos o rosto de todos os que se cruzavam connosco. Éramos vizinhos, amigos e família.

Este perfil deve lembrar-nos que a mobilidade tem de servir a escala humana, e este planeamento não pode esquecer o prazer de se usufruir e contemplar a nossa Terra, sem o ruído constante dos motores.

 

3. O Perfil Direito: A Urgência e o Asfalto


Mas, o mundo acelerou.

A realidade impõe-se e sabemos que não podemos viver apenas da nostalgia da brisa do rio. Virando o rosto para o outro perfil, encontramos a Autarca. Este é o lado de quem tem de encarar de frente, entre outros, o caos da Estrada Nacional 222.

Deste lado, a poesia dá lugar à urgência. Sentimos as longas filas, o sufoco ambiental e a impaciência de quem quer chegar a casa, à escola ou ao trabalho, mas vê o tempo subtraído à família, ao descanso e à cultura, suspenso naquela imensa reta. A Autarca sabe que Avintes precisa de soluções que não cabem num barco rabelo. Temos de pensar em autocarros que cumpram horários, em rotundas que funcionem, na descarbonização do território e em desatar os nós que impedem a nossa Vila de evoluir e as Pessoas de fluírem.

Este lado exige respostas técnicas, exige orçamentos, exige rapidez, exige soluções para um futuro que não espera por nós mas o qual ansiamos muito atender. O futuro demanda eficiência e sustentabilidade e a mobilidade é atualmente o motor económico para a competitividade entre territórios.

 

4. A Artéria Ferida: A Rua 5 de Outubro


Como reconciliar, então, a poesia do Areinho com a pressão avassaladora da EN222?

A resposta deveria estar no nosso ponto de equilíbrio geográfico, naquela que é a nossa espinha dorsal: a Rua 5 de Outubro.

Mas, para pensarmos o futuro com seriedade, temos de ter a coragem de olhar para o presente com honestidade.

Hoje, a Rua 5 de Outubro não é um exemplo de harmonia; é um grito ensurdecedor de socorro. Esta via, que deveria ser a sala de visitas de Avintes, da nossa identidade intrínseca, está exausta. O seu pavimento vai cedendo aos poucos, ferido pelo peso de um trânsito manifestamente intenso que a sua estrutura centenária e nobre parece já não suportar.

Não são apenas as pedras que sofrem; são os vidros das casas que vibram à passagem dos veículos pesados e o sono de quem ali vive que é interrompido pela trepidação constante que o silêncio da noite não cala. A mobilidade moderna não pode ser o sacrifício do descanso de uns para a pressa em chegar de outros.

Onde deveria haver o passo calmo dos avintenses e a fluidez do comércio tradicional, há hoje vibração, degradação e a velocidade de quem usa Avintes muitas vezes apenas como atalho.

A Rua 5 de Outubro é a prova física de que a mobilidade mal gerida deixa marcas profundas e cicatrizes que não se conseguem disfarçar. Ela "sangra" porque tentámos forçar a mobilidade contemporânea num corpo antigo sem o devido cuidado. Recuperar esta rua não se pode cingir apenas a uma obra de engenharia para tapar buracos, ou assentar tampas; é imprescindível pensar-se  numa obra de resgate da nossa alma comunitária, da nossa dignidade.

 

5. A Mobilidade de Carácter: O Motor do Interesse


Se os buracos no asfalto se poderão resolver com obra e bom alcatrão, há um outro tipo de problema de mobilidade em Avintes que também exige uma reflexão profunda: a mobilidade cívica ou de carácter.

O desgaste da Rua 5 de Outubro encontra um triste paralelo num certo "imobilismo" crónico de alguns setores da nossa sociedade. Refiro-me àqueles que circulam pela via pública e comunitária em contramão com a verdade - os cidadãos que sofrem de uma "mobilidade seletiva".

Todos conhecemos esses perfis.

Há quem confunda “servir a terra” com “servir-se da luz da terra”. São os perfis que só aparecem para a fotografia de inauguração, com o sorriso bem ensaiado, mas que desaparecem quando o filtro da câmara não consegue esconder o pó e o suor do trabalho real. São aqueles que se apresentam constantemente como os "mártires da estrada", queixando-se em voz alta do quanto sofrem por Avintes e do quanto se sacrificam pelo bem de todos.

No entanto, quando analisamos a linguagem desta mecânica, percebemos que são “vítimas” com o taxímetro ligado. Só engrenam o motor e iniciam a marcha do veículo se o destino final for o pódio, o aplauso fácil ou o proveito pessoal. Se a estrada for plana, iluminada pelos holofotes e der direito a fotografia, vemos grandes velocidades. Mas, se o caminho exigir sacrifício real, trabalho anónimo ou de “segunda linha” e implicar sujar as mãos para consertar a "nossa rua" sem ninguém a ver, o motor destes grandes condutores gripa subitamente. Ficam na berma. Mais ainda, ficam na berma a buzinar e a romper o piso a quem está, de facto, a trabalhar.

Esta atitude não é amor à Terra; é manifesto transporte privado de interesses. E a verdadeira mobilidade de Avintes não se pode comover, nem demorar, com quem só quer conduzir o "carro vassoura" para recolher os louros no fim da corrida.

 

6. Conclusão: O Movimento que nos Une


O 36.º Fórum Avintense pede-nos também que projetemos o futuro. Esse futuro não se constrói apenas com cimento, exige que saibamos unir a eficiência pragmática da Autarca ao coração identitário da Avintense.

Que o futuro nos traga o respeito e a preservação do silêncio do Areinho. Que nos traga a inteligência estrutural para resolver os nós da EN222. Que nos traga a coragem e a capacidade de curar as feridas da nossa Rua 5 de Outubro.

Mas, acima de tudo, que nos traga uma verdadeira mobilidade de carácter. Avintes precisa de cidadãos dispostos a tapar os buracos do nosso caminho coletivo e não de "passageiros" que só querem boleia para o sucesso. Movamo-nos por verdadeira convicção e pelo bem comum. Pelo progresso que não esquece as raízes mas que as fortalece, sempre ligados, próximos e em movimento conjunto.

Avintes não pode, nem vai parar!

Avintes tem de continuar com a tração certa e as mãos limpas de qualquer vaidade. A nossa Freguesia precisa de todos nós ao volante do civismo.

Avintes precisa de verdadeiros construtores de caminhos. Vamos a isso?


Comunicação apresentada no 36.º Fórum Avintense sob o Tema: A Mobilidade: presente, passado e futuro

2026

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

* O POVO É QUEM MAIS ORDENA *

No passado dia 30 de outubro de 2025 discursei pela última vez enquanto Presidente da Assembleia de Freguesia de Avintes.



Mas foi também nesse dia que assumi e jurei novas funções desta feita enquanto vogal do Executivo que vai liderar a Freguesia no próximo quadriénio 2025/2029.


Eu sei que há muita descrença naqueles que decidem ser parte ativa na Sociedade em prol do Bem Comum, ou res publica.
Continuo a defender e a acreditar que não somos todos iguais e nunca deixarei que o ódio destilado me impeça de seguir o Caminho que jurei perante um Salão Nobre repleto de Pessoas. 
Pessoas amigas, Pessoas conhecidas, Pessoas que gostam de mim, Pessoas que não gostam de mim. Pessoas que são Avintes, Pessoas que vivem Avintes, Pessoas que amam Avintes.
O Povo decidiu a 12 de outubro de 2025 quem deveria governar a nossa Freguesia e o Povo é de facto ainda, felizmente, "quem mais ordena".
Tod@s tereis as portas abertas nas reuniões públicas e nas Assembleias de Freguesia e tod@s estais convidad@s a dar a cara pela defesa do que acreditais, respeitando a maioria que Avintes nos confiou, bem como a composição da oposição cujo papel é fundamental e imprescindível na Democracia Local e com quem trabalharemos para que Avintes tenha o Futuro que merece.

As fotos anteriores são da autoria do Senhor Pereira Lopes.

Partilho por fim o meu discurso para memória futura.

 


 

 


domingo, 5 de outubro de 2025

* DAS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS *

 

Ponto Prévio: manifesto que não sou, de todo, imparcial nas minhas palavras pelos motivos óbvios.

Lamento profundamente o estado da Democracia em que vivemos, mas principalmente que deixamos proliferar com as mensagens mais aberrantes que são transmitidas aos cidadãos e fundamentalmente, aos eleitores e votantes.

Não consigo perceber que se defenda o contrário de tudo quanto se fez ou foi dito ao longo de anos nos lugares próprios onde a Democracia local se faz. Que agora se diga que está tudo mal, quando nas Atas das Assembleias de Freguesia está registado o reconhecimento dessas Pessoas pelo bom trabalho realizado, apesar de ser necessário fazer ainda mais.

Não consigo perceber que gente que NUNCA se sentou nos lugares reservados ao público e aos Fregueses saiba dizer que conhece a nossa Freguesia de Avintes, se nunca escutou nenhum debate ou troca de ideias daqueles que legitimamente foram eleitos para representarem os cidadãos Avintenses.

Alguém que NUNCA manifestou qualquer interesse em saber como foi governado o dinheiro de todos nós, possa defender o que desconhece.

Acredito mesmo que muitos não sabem, de todo, o valor do orçamento anual de uma Freguesia. Da nossa Freguesia.

Desconhecem o comércio local, a Feirinha da Gandra, a Cris Armi, o cabeleireiro da Sónia, o da Gisela, o da Rosita, o da Cristina, o da Sílvia, o da Márcia, o da Patrícia, o da Irene, e de outras tantas, e das muitas barbearias que também temos em Avintes. Desconhecem as ourivesarias, as lojas de eletrodomésticos, as lojas de utilidades para o dia a dia, os cafés, o Mercadinho das Portelas, a Frutaria Ferreira, os talhos, as Associações...

Desconhecem ainda as Pessoas que fazem de Avintes a melhor Freguesia para se viver no concelho de Vila Nova de Gaia.

É evidente que eu não frequento todos estes lugares, mas sei da fibra de que são feitas estas gentes que lutam diariamente para aqui permanecerem, porque amam a sua Terra, porque acreditam que há lugar e espaço para se crescer mais e para se fazer o melhor que é possível com os parcos recursos económicos que o Governo Central disponibiliza às Freguesias.

Não sou isenta. Sou uma cidadã livre, com valores e determinação e não concebo, nem posso conceber que façam ou queiram fazer dos Avintenses marionetas num jogo de palavras e de promessas que sabem não ser possível concretizar. Mas principalmente, não posso manter-me calada quando quem connosco lutou e teve a possibilidade de manifestar nos locais próprios as suas opiniões enquanto representantes daqueles que lhes confiaram o voto, publicitem agora o contrário do que está oficialmente registado.

Dia 12 de outubro está nas mãos de cada um e cada uma de nós, colocar a X no sítio certo.

Não, não somos tod@s iguais.

Sim, permaneço fiel aos valores democráticos em que acredito e que defendo, mas principalmente, que ensino aos meus Filhos. Porque a escoliose que tenho em nada prejudica a minha verticalidade.

domingo, 30 de março de 2025

* A MORTE É DO CARAÇAS *

Este não é um grande título! Mas há algum bom título para falar da morte?

Há pouco mais de um mês a morte chegou sem se anunciar à minha Família. Um dos nossos morreu...

O tempo fugia-me no parque de estacionamento do hospital enquanto procurava incessantemente encontrar um lugar para deixar o carro. Corri à chuva, desorientada na imensidão do hospital. Já deram conta que o hospital é ENORME? Pareceu-me avassalador não saber qual era a minha direção, porque a minha missão eu sabia-a muito bem. Tinha que chegar até ele. Ele esperava-me e eu sabia disso. E ele sabia que eu chegaria. Nada me poderia impedir.

Chorei sentada no banco da receção. Escutei palavras de uma desconhecida que me pedia resignação para aceitar o que me esperava. Mostrou-me os tubos que saíam de dentro de si. "Não podemos fazer nada." dizia-me. Eu acenava com a cabeça e as lágrimas corriam pelo meu rosto.

O tempo fugia-me e pediam-me resignação!?

Peçam que me resigne depois de cumprir com a minha missão. Nunca antes.

Eu cheguei. Cumpri. E ele morreu. 

Ia escrever que ele partiu, mas não foi assim que contei ao meu filho. Não há o "melhor modo" para dizermos a quem amamos, que alguém que amamos morreu. Então, disse-lhe diretamente e sofremos os dois. 

Sempre disse que as mães têm super poderes. Exceto o de retirar a dor aos nossos filhos. E era esse o que eu mais queria. Sofrer as dores por eles. Sempre.

A morte quebra muitas coisas mas não quebra os elos da Vida. Não quebra o Amor. Não quebra a Família.

A morte é do caraças mas nós somos mais.

Um beijO grande.



sábado, 24 de fevereiro de 2024

* CONTINUA A SER MUITO MAIS QUE UMA COR *

Durante a minha gravidez sempre tive um medo irracional (diria até estúpido) de não conseguir amar dois filhos da mesma maneira. 🤷🏻‍♀️
Depois de uma Benedita eu só desejava um filho que, além de saudável, soubesse dormir. 🙃
O Santiago entrou na minha Vida e transformou-a. Fez de mim uma pessoa mais humana, mais consciente das suas fragilidades mas principalmente, foi ele quem me permitiu assumir e enfrentar os meus maiores medos.
O miúdo das pestanas grandes, do coração gigante e das birras mais complexas cresceu tanto e eu cresci com ele! 💙
Às vezes tenho dificuldade em perceber "o seu Mundo" e as questões que o atormentam quando nem delas (supostamente) deveria ter conhecimento, mas ele questiona, ele abraça e ama de um modo genuíno. E depois sorri e segue em frente no seu Caminho.
Hoje ultrapassou mais uma etapa. Alcançou mais um cinto, o da sua cor preferida. 
O karaté continua a ser (e para mim será sempre) muito mais que uma cor. Também eu ao longo destes anos aprendi muito, principalmente a escutar os meus filhos.
Hoje o Santiago superou mais um patamar e eu orgulho-me de ter gerado um Filho como ele... Que descomplica o meu coração de Mãe.
O Santiago é azul e eu sou abençoada por tê-lo comigo.
Parabéns Santiago. Continua a mostrar-me que as minhas dúvidas são tão "parvas" como as minhas birras.
Amo-te Filho e vou amar-te mesmo quando já não me puderes ver.





segunda-feira, 6 de novembro de 2023

* SIM, MESTRE. *

Foi num dia seis, também ele chuvoso, deste ano de dois mil e vinte e três que finalizei mais uma etapa da minha Vida.
Na sala de atos da Escola de Direito da Universidade do Minho sentaram-se os meus. O Ângelo, a Benedita e o Santiago para assistirem à minha prestação pública de provas. Sentei também, na primeira fila, os meus medos, os meus demónios e as minhas inseguranças... sorri para todos e elevei a cabeça para que assistissem ao meu triunfo.


Preparei a minha apresentação apenas no dia anterior. Sabia de cor tudo quanto nela havia escrito. Foram quatro anos da minha Vida que dediquei até chegar à apresentação da tese - "O Referendo Local: desafios à participação cívica ou necessidade de dupla legitimação?".


Ultrapassar a crise provocada pela pandemia da Covid para levar até ao fim uma tese não foi de todo fácil. O medo (sempre presente) de falhar, de não ser suficiente ou até capaz de concluir aquela etapa assombrou cada dia que por mim passou.
Naquele dia seis fui eu quem venceu. Defendi a minha tese com a mesma convicção com que a pensei e elaborei. Orgulhosa de mim. Grata por todos os que passaram por mim nessa fase e me ajudaram a seguir em frente.

  


Finalizei a defesa com a frase que escolhi para constar do meu trabalho da Jangada de Pedra, de José Saramago:


Acredito que esta frase se aplica a pessoas, países e freguesias. Sempre acreditarei.

Este projeto só foi possível de concretizar porque ao meu lado tive e tenho Pessoas incríveis que sempre acreditaram em mim e por isso lhes deixei o meu agradecimento:


No final, após deliberação do Júri, voltamos à sala para descobrir quem acertou na nota final... foi o (meu) Ângelo... e escutar as palavras que me foram dirigidas. Belas palavras que encheram o meu coração de alegria e fez a Família vibrar comigo.

Ao Júri o meu maior respeito e consideração pelo modo como conduziram a minha defesa. Pelas pertinentes questões e observações e pelo incentivo em fazer mais que me foi dirigido. Obrigada.


Da esquerda para a direita: Prof. Doutor Carlos Abreu Amorim (Presidente); Profª Doutora Maria do Rosário Anjos (Arguente); Mestre Daniela Castro e Profª. Doutora Isabel Fonseca (Orientadora).

Naquele dia seis saí da Escola de Direito como entrei: acompanhada pelos meus, rodeada dos seus abraços, sorrisos e beijos. Os quatro sempre juntos, os quatro de mão dada.
Academicamente saí um pouco diferente, saí Mestre em Direito Administrativo com Especialização em Direito das Autarquias Locais.

Sejam felizes.

quinta-feira, 20 de julho de 2023

* O TEMPO PASSOU *

Ando há imenso tempo para passar aqui e escrever... e agora que o fiz, tomo consciência que há mais de um ano que nada escrevo. 

Como é possível que o tempo passe assim!?

Desde que escrevi pela última vez, já perdi pessoas para outra dimensão e deixei seguir pessoas nesta dimensão; conquistei títulos; viajei com amigos e viajamos os quatro e "escapei" a dois; assisti a injustiças e lutei pelo que acredito.

O tempo passou e os miúdos cresceram ou melhor, continuam a crescer. E temos rido muito em conjunto e fortalecido os laços eternos que nos unem. Claro que discutimos também (então? parece que não me conhecem!) mas estamos todos (sempre) a aprender este Caminho de sermos Pais e eles serem Filhos; de envelhecermos, nós e eles, no rodopio assolado dos dias que muitas e tantas vezes nos fogem por entre as mãos.

Chorei muito nestes doze meses e tive muitas vezes medo. Esse medo "tolo" de não ser suficiente, de não ser capaz, de estar doente, de não ser o que precisam que eu seja… mas sempre soube quem sou e como sou. 

Nestes doze meses realizei sonhos aos meus e sonhos meus; atravessamos pontes e construímos pontes; abracei muito e beijei; descobri uma arte de defesa pessoal que adoro (mas que me fez tomar consciência de que tenho ossos fracos 😂) e cresci. Crescemos todos.

Já passaram mais de doze meses e eu deveria ter escrito aqui muitas coisas que ficam por escrever. Cada uma no seu tempo, no tempo que, agora, já passou!

Até breve.